Mostrando postagens com marcador leitura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador leitura. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de junho de 2016

5 Dicas para Incentivar Crianças a Ler

"O livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar." - Rubem Alves

Aquele que se vê acompanhado dos livros adquire cultura, desenvolve a imaginação e o senso crítico, fala e escreve melhor, qualidades, essas, importantíssimas para o desenvolvimento infantil. Mas em meio a jogos eletrônicos, TV a cabo, interação em tempo real, cinema 3D, como fazer um criança parar meia hora para se concentrar e usar sua imaginação nas páginas de um livro

Assim como toda educação infantil, não basta só o exemplo, mas também é preciso um pouco de vontade e dedicação por parte dos adultos. Nós do Muito Mais que Livros separamos algumas dicas práticas e baratas para começar a despertar o interesse pela leitura nos pequenos, confira abaixo:

1 - Procure livros sobre os assuntos que ele gosta O mercado literário está sempre antenado com as tendências de TV, Games e Cinema, observe quais os programas o atraem e compre um livro sobre o assunto. 


2-Procure livros interativos
Livros 3D ajudam a criança a visualizar a história, aproveite e invista em histórias clássicas e não perca a oportunidade de ler junto dele.



3-Quadrinhos são sempre uma boa opção
Leve seu filho a banca de jornal e o incentive a escolher uma leitura, quadrinhos são visuais, baratos e de histórias rápidas. E o melhor, os quadrinhos crescem junto com a criança.


4-Que tal RPG e livros de charadas? 
Antes dos jogos eletrônicos dominarem o mundo infantil os RPGs promoviam as batalhas e conquistas dos jovens. Os livros-jogos podem ser jogados sozinhos ou em grupos, tornando-se excelentes opções para crianças cheias de energia. 


5- Bibliotecas e Livrarias são passeios interessantes
Além do apelo visual e a infinidade de opções que esses lugares proporcionam, há eventos, feira de livros, contação de histórias, teatro e até encontro com autores. Que tal fazer desses ambientes o passeio em família?







domingo, 29 de maio de 2016

10 Motivos para Ler todo Dia

"A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente essa sede." Carlos Drummond de Andrade 1902 - 1987

Não sabe ainda o por que incluir a leitura no seu dia a dia? Então esse post é pra você:


1-Estimula o cérebro

Vários estudos indicam que o estímulo mental diminui a evolução (e talvez estacione completamente) o Alzheimer. A razão é simples: manter o cérebro ativo o impede de perder suas capacidades. Como todos os músculos do corpo, necessita de treinamento para permanecer vigoroso e são. Também beneficiam a saúde do cérebro os jogos que estimulam o intelecto, como os quebra-cabeças ou o xadrez.

2-Diminui o stress

Seja o stress do trabalho, preocupações cotidianas, pouco importa, a leitura diminui nosso estado de ansiedade. Um romance pode nos transportar para outra dimensão. Um artigo interessante, nos distrair. A leitura alivia a ansiedade e relaxa.


3-Melhora seus conhecimentos 
Quando lemos, preenchemos o cérebro com novas informações — que nunca sabemos quando nos serão úteis. Quanto mais conhecimento, melhor equipados estamos para enfrentar novos desafios. Algo para refletir. Se você pode perder tudo na vida – o emprego, seus bens e mesmo sua saúde — lembre-se que nunca poderão lhe retirar seu saber e seus conhecimentos.

4-Aumento de vocabulário

Benefício estritamente ligado ao conhecimento: quanto mais se lê, mais se descobre novas palavras, com mais chances de empregá-las na linguagem diária. Expressar-se de maneira precisa é valioso em qualquer profissional. Ser capaz de se comunicar com segurança é um excelente meio de melhorar sua autoestima. Enriquecer o vocabulário pode até alavancar sua carreira. De fato, os instruídos e com conhecimentos dos mais diversos assuntos têm mais chance de serem promovidos que aqueles com um vocabulário mais restrito e poucos conhecimentos de literatura, dos avanços científicos e das atualidades. A leitura também ajuda a melhorar nossos conhecimentos no aprendizado de uma língua estrangeira.

5-Melhora a memória

Para compreender bem um livro, deve-se lembrar de muitas informações: os personagens, seu passado, suas intenções, sua vivência, depois as nuanças e todas as ações secundárias que se misturam à ação principal. Isso representa muito de informações a reter, mas o cérebro é um órgão poderoso e vai se lembrar com uma facilidade surpreendente. O mais espantoso é que cada vez que se forma uma nova memória, cria-se novas sinapses (zonas de contato entre os neurônios) e solidifica-se as sinapses existentes. Isso quer dizer que a leitura, formando novas memórias, vai aumentar nossa capacidade de retenção de memórias a curto prazo e a um efeito regulador sobre nosso humor. Nada mal, não é?


6-Desenvolve a capacidade de análise
Já leu um bom romance policial e adivinhou o final do livro antes de concluí-lo? Se é o caso, mostrou boas aptidões críticas e analíticas: tem a capacidade de sintetizar os detalhes fornecidos, para fazer um verdadeiro trabalho de detetive. Esta capacidade de análise dos detalhes é igualmente benéfica para criticar a ação de um livro: podemos julgar se está bem escrito, se os personagens são bem desenvolvidos, se a trama se desenrola de maneira fluida etc. Se um dia for discutir sobre um livro, essa capacidade de análise vai lhe permitir exprimir sua opinião de maneira clara. Por quê? Terá analisado e criticado internamente os detalhes pertinentes durante a leitura.

7-Melhora a atenção e a concentração 

Em nossas sociedades que gravitam em torno da Internet, nossa capacidade de concentração é atacada por todos os lados. Em 5 minutos, o indivíduo vai dividir seu tempo entre trabalhar uma tarefa, verificar seus e-mails, trocar mensagens com várias pessoas simultaneamente (Facebook, Skype, etc.), ler sua conta no Twitter, verificar seu smartphone e conversar com seus amigos! Esse comportamento hiperativo gera stress e perda da produtividade. Quando lemos um livro é exatamente o contrário. Toda a nossa atenção é dirigida para a trama da obra. É como se o mundo se dissolvesse e pudéssemos mergulhar completamente nos detalhes da narrativa. Tente, toda manhã, ler de 15 a 20 minutos antes de trabalhar (no ônibus ou no metrô). Vai se surpreender com o efeito positivo que isso terá no seu nível de concentração no trabalho.


8-Melhora a redação
Escrever melhor caminha junto com o enriquecimento do vocabulário. A leitura de obras bem escritas terá um efeito notório no seu próprio estilo de redação. Observar a cadência, a fluidez e o estilo de outros autores inevitavelmente influenciará sua própria maneira de escrever. Da mesma forma que os músicos têm uma influência sobre a música de seus companheiros, e que os pintores se inspiram nas técnicas dos mestres, os escritores criam narrativas inspirando-se no trabalho de outros autores.





9-Tranquilize o espírito

Basicamente, a leitura é sinônimo de relaxamento. Mas para além dessa qualidade reconhecida, a temática de um livro também pode nos tranquilizar o espírito com uma considerável paz interior. De fato, a leitura de textos espiritualistas pode baixar a pressão arterial e suscitar um sentimento de calma. Além disso, foi demonstrado que os livros de autoajuda podem auxiliar as pessoas que sofrem de problemas de humor e de formas leves de doenças mentais.

10-Um divertimento gratuito

A maioria das pessoas gosta de ter o livro que leem para fazer anotações ou marcar páginas interessantes. Mas pode-se encontrar tudo o que se necessita nas livrarias e bibliotecas públicas e descobrir uma infinidade de livros disponibilizados gratuitamente. As bibliotecas oferecem obras de todos os assuntos imagináveis, elas são realmente uma fonte inesgotável de descobertas. Se, por um infeliz acaso, você vive num lugar sem biblioteca ou que não pode se deslocar, saiba que a maior parte delas oferecem um serviço de empréstimo de livros para baixar no seu computador, iPad ou telefone.

Texto compartilhado de: https://actioliberablog.wordpress.com/2016/04/25/os-10-beneficios-da-leitura-ou-porque-voce-deveria-ler-todos-os-dias/ 

sábado, 23 de abril de 2016

Como fidelizar o cliente de Espaços de Leitura?

O trabalho de compartilhar a cultura literária não está só em oferecer espaços e livros de boa qualidade, também é preciso se preocupar em atender o cliente/usuário com o máximo de excelência possível. Mas é claro que todo Bibliotecário sabe disso, porém, na prática, não é tão simples assim, não é? Bom, esse artigo, compartilhado do Bibliotecativa, discute e dá dicas sobre como conseguir fidelizar o cliente/usuário de Bibliotecas e Espaços de Leitura:

O atendimento de excelência é uma arte de sedução. É através do atendimento de excelência que a biblioteca pode conquistar e fidelizar os utilizadores. O atendimento é o espelho da organização. Um utilizador bem impressionado multiplica esse efeito positivo junto de um máximo de quatro pessoas. Um utilizador mal impressionado multiplica esse efeito positivo junto de pelo menos seis pessoas. A qualidade do atendimento está totalmente dependente da qualidade do atendedor. Nada deve ser deixado ao acaso. Todos os profissionais devem estar preparados e empenhados num atendimento de excelência. Esta é a razão de ser e o modo de estar da biblioteca.
 O que é a excelência no atendimento?
A excelência no atendimento vai muito para além de um atendimento pontual e despersonalizado, quase mecanizado. Atender é uma verdadeira arte da sedução.
O fim último do atendimento é o de estabelecer uma relação duradoura e profícua. Só assim o objetivo de satisfazer as necessidades dos clientes é plenamente realizado. Só assim se consegue a tão desejada fidelização dos clientes a uma empresa, produto ou serviço.
Mas isto por si só não basta. Para atender com excelência é necessário ter um vasto conhecimento sobre a área e a organização que se representa.
O atendimento é o espelho de qualquer instituição ou empresa. A imagem que fica de uma empresa depende maioritariamente da excelência do atendimento. Da relação que o cliente estabelece com a pessoa que o atende. Da forma como são satisfeitas as suas necessidades.
Ao atendimento estão intrínsecas várias ações. Entre elas destacamos as que nos parecem mais importantes:
  • Receber e acolher com cortesia
  • Atender com simpatia e disponibilidade
  • Prestar atenção a todos os pormenores
  • Escutar atentamente e fazer por entender
  • Dar sempre feedback na comunicação
  • Informar corretamente
  • Solucionar problemas

Qual deve ser a postura de um bom atendedor?

A concretização de um atendimento de excelência por parte dos profissionais pode resumir-se em quatro pontos cruciais:
  • Transmissão de boa apresentação no 1º contato
  • Identificação das necessidades
  • Satisfação das necessidades
  • Fidelização do cliente
A aparência e o aspeto físico deverão transmitir uma boa impressão. Deve manter uma postura correta e uma atitude adequada para criar um ambiente favorável ao atendimento.
É muito importante ter cuidado com a linguagem corporal. A postura e a expressão facial transmitem informação e geram sentimentos no outro. Sorria sempre de um modo suave, despertando tranquilidade e simpatia.
A forma como se dirige ao cliente e comunica com ele é determinante. Tenha em atenção a idade, nível sociocultural, histórico de cliente, interesses e gostos.
Opte por uma abordagem direta mas não invasiva. Mostre a sua disponibilidade para ajudar. Retire-se quando o cliente manifestar que não necessita de ajuda. Não se afaste demasiado e antecipe possíveis questões ou pedidos.
Opte por uma linguagem simples mas cuidada. Selecione o vocabulário em função do perfil do cliente. O tom de voz poderá desde logo transmitir segurança e confiança. Ajustar o tom de voz e falar de forma a manter o mesmo timbre demonstra domínio sobre o assunto e aumenta a credibilidade.
Nunca por nunca ser interrompa quando o utilizador fala. É importante que perceba que está a ser ouvido. Não ouça apenas, escute e dê sempre o feedback necessário. A expetativa do utilizador é muitas vezes a de ser ouvido e sentir-se compreendido. Sentir que alguém está empenhado em satisfazer as suas necessidades.
Não use frases negativas tais como: «Não sei!”, “Não temos!”, “Não está disponível!”, Não posso!”. Use frases afirmativas e construtivas. Mostre sempre boa vontade e disponibilidade para responder às suas necessidades e resolver qualquer situação.
É muito importante manter a calma e ter uma postura sempre profissional mesmo quando surgem contratempos. Ter bom autocontrolo e maturidade emocional para lidar com dificuldades pontuais que possam surgir. Uma boa dose de vontade para resolver uma situação poderá fortalecer a relação entre o profissional e o utilizador, entre o atendedor e o atendido.


Qual a importância do atendimento numa biblioteca?

Este conceito básico de atendimento também se aplica às bibliotecas. O atendimento do público é sem dúvida a função mais importante a desempenhar pelos profissionais das bibliotecas.
O atendimento de excelência numa biblioteca exige do profissional o domínio das técnicas de atendimento. Só assim é possível poder ponderar cada situação e agir de forma consistente e equilibrada.
Tendo em conta que nem sempre é possível atender de imediato a uma solicitação há que saber contornar este tipo de circunstâncias. Em circunstância alguma o utilizador pode sair da biblioteca com a sensação de insatisfação e com uma má impressão.
O utilizador satisfeito volta sempre à biblioteca e partilha as boas experiências vividas. Deste modo faz uma divulgação positiva junto a outros potenciais utilizadores. Cria assim um efeito multiplicador que ajuda a construir uma boa imagem a biblioteca.
O utilizador insatisfeito irá fazer o mesmo mas de uma forma negativa. Existem estudos que demostram o efeito multiplicador. Uma pessoa satisfeita com o atendimento transmite essa satisfação a um número máximo de quatro pessoas. Uma pessoa insatisfeita transmite essa insatisfação a um número mínimo de seis pessoas.
Deste modo, é fácil concluir que para se denegrir a imagem de uma organização basta falhar no atendimento.

Como pode melhorar o atendimento na sua biblioteca?

Para bem atender tente mentalmente inverter os papéis e imagine que é você que está a ser atendido. Questione: “Como gostaria de ser tratado?”. Para aprofundar esta abordagem, propomos-lhe este exercício.
  • Elabore uma pequena tabela com 5/7 itens que considera importantes quando é atendido numa loja;
  • Faça uma revisão mental de situações vivenciadas recentemente ou vá visitar intencionalmente uma loja;
  • Preencha a sua tabela atribuindo estrelas a cada um dos itens que definiu na sua tabela;
  • Repita este processo em mais duas ou três lojas, veja os resultados comparativamente.
  • Agora o grande teste: aplique a mesma tabela à sua biblioteca e peça aos seus colegas para fazerem o mesmo;
  • Analise os dados e retire conclusões. Planei e implemente ações de melhoria.
A terminar este artigo gostava de sublinhar dois aspetos que me parecem determinantes. Em primeiro lugar, devemos perspetivar o atendimento como o espelho da organização. É nesse espelho que o utilizador vê a imagem da biblioteca refletido. Em segundo lugar, devemos considerar o atendimento como uma função central da biblioteca. Nessa perspetiva defendemos que todos os profissionais devem estar preparados para o atendimento de excelência. Não nos podemos esquecer que é através do atendimento que a biblioteca presta serviços aos cidadãos. E essa é a razão de ser e de estar da biblioteca.
Texto de: Sandra Leal Compartilhado de: http://bibliotecativa.pt/arte-seducao-atendimento-excelencia/

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

06 dicas para transformar a Biblioteca em lugar de criança

Em nosso ultimo post (07 Problemas em Bibliotecas que Afastam Usuários e o que Fazer para isso Mudar?) recebemos inúmeros comentários e sugestões discutindo sobre a importância de criar estratégias visando crianças e transformar o ambiente de leitura em um lugar interessante para elas.

Pensando nessa temática selecionei 06 dicas de profissionais que colocaram crianças como foco dos seus projetos de captação de usuários para bibliotecas, confira a seguir e dê sua opinião:

1. FACILITE O ACESSO AOS LIVROS. 
Comece por facilitar seu acesso, livros localizados em baixo na estante, ambiente colorido e atrativo, além de local para sentar ou deitar fará com que a criança queira ficar mais tempo no ambiente. 






2. COLEÇÃO ADEQUADA

Tivemos muitos comentários sobre a dificuldade em garantir a aquisição desses livros, muitas Bibliotecas não tem recurso financeiro para acompanhar as novidades literárias. 
Para resolver procure entrar em contato com fundações, autores e editoras e peça doações. Mantenha um bom relacionamento sugerindo o espaço para eventos e apresentações de seus livros.  Promova também eventos de troca e doação de livros com a comunidade.  

3.CONVIDE À LEITURA. 
Se preocupe em identificar o gosto da criança para assim apresentar outras opções da mesma temática. É interessante também manter próximos os livros "iguais" facilitando o interesse e acesso da criança.




4.NÃO SE ESQUEÇA DOS ADULTOS. 

É comum as bibliotecas se esquecerem de separar um local apropriado ao adulto acompanhante. Esse ambiente precisa ser confortável e estar próximo a criança. Que tal colocar uma maquina de café e indicar livros ao adulto?




5. PROMOVA EVENTOS. 
Através daquelas parcerias sugeridas no item 02 promova eventos adequados as crianças, convide autores e editoras para apresentarem seus livros, além de apresentações teatrais, circenses e contação de histórias. Convidar personagens infantis também é uma boa opção.
Aproveite as datas comemorativas, convide fundações assistenciais e iniciativas culturais da cidade para usar o espaço da Biblioteca. 

6. APOSTE NAS REDES SOCIAIS. 

As redes sociais podem te ajudar a divulgar as atividades da Biblioteca, aposte em criar páginas e convide os usuários a acessá-las e divulgá-las, coloque conteúdos interessantes, dicas de leituras e agenda de eventos. Existem páginas destinadas a crianças, procure saber se é possível fazer parte delas.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O Bibliotecário, a Promoção da Leitura e a Biblioteca Pública

Iniciativas comunitárias que apostam no poder libertador da leitura são louváveis, mas não eximem os governos de sua responsabilidade de criar uma rede articulada de bibliotecas uma análise por Ezequiel Theodoro da Silva


"Talvez nenhum lugar em qualquer comunidade seja tão amplamente democrático como a biblioteca pública. A única exigência para entrar é o interesse!" - Lady Bird Johnson

Por várias vezes, em diferentes lugares do Brasil e do exterior, afirmei que uma revolução qualitativa da leitura brasileira tem de contemplar, necessariamente, questões relacionadas com a existência de uma rede articulada de bibliotecas e pela ampliação pedagógica do trabalho dos bibliotecários.
Biblioteca Pública de Valencia

Neste texto, retomo, reitero e amplifico esse posicionamento mesmo porque os governos continuamente cometem verdadeiros crimes para escamotear as necessidades de trabalho científico, tecnológico e técnico no âmbito da organização e disponibilização de acervos de leitura para as múltiplas comunidades existentes nas regiões brasileiras.
As duas pesquisas nacionais sobre hábitos de leitura do povo brasileiro, publicadas com o nome "Retratos da Leitura" (ver http://www.prolivro.org.br/ipl/publier4.0/texto.asp?id=48 ), mostram que 34% da população nunca foi a uma biblioteca; nas classes D e E, esse percentual sobe para 49%. Esses indicadores mostram a imensa distância que existe entre a casa do cidadão e os espaços formais onde se tem acesso à cultura escrita.

Inexistentes ou anacrônicas 
Tais "retratos", em verdade, apenas fazem redundar o óbvio no que se refere às bibliotecas: ou elas inexistem ou estão paradas no tempo ou ficaram apenas nas intenções, sem nunca terem sido organizadas e postas a funcionar condignamente. Em que pesem os cursos de biblioteconomia e de ciências da informação, a mostrar, de forma escancarada, que existe profissional graduado e habilitado para atuar na sociedade, a atitude das autoridades tem sido a de fuga ou de esquiva da responsabilidade, deixando que as comunidades "se virem" no que se refere à convivência com livros e outros suportes de escrita.

Recentemente, telefonou-me uma repórter de um jornal curitibano para perguntar o que eu achava de uma experiência de formação de uma biblioteca comunitária. Disse-me ela que os catadores de lixo da cidade tinham "catado" livros e revistas e fundado uma biblioteca para o segmento de catadores de lixo. Louvei a iniciativa, informei que os livros poderiam expandir os horizontes de mundo dos catadores de lixo etc., etc., mas, quando disse que era o governo que deveria organizar e manter as bibliotecas, a repórter entrou em parafuso, achando que não dera a devida importância à iniciativa grandiosa daquela comunidade.
Biblioteca Pública de Kansas

Essa experiência com a "biblioteca catada" não é muito diferente de outras que conheço pelo Brasil, como borracharia-biblioteca, baú-biblioteca, peixaria-biblioteca, boteco-biblioteca, jumento-biblioteca etc., enaltecidas e espetacularizadas pela mídia como soluções absolutas para o problema da nossa vergonhosa situação nessa área. Numa análise mais fria e crítica e sem querer de maneira nenhuma desmerecer as iniciativas do borracheiro, do peixeiro e/ou do dono do jumento, o que vemos, de maneira reiterada, é a escamoteação dos governos, no passar dos anos, com aquilo que é mais do que claro, cristalino e evidente: que sem bibliotecas na real acepção da palavra e sem gente especializada, formada em biblioteconomia, para dinamizá-las profissionalmente, continuaremos incentivando os arremedos e, pior, curvando-nos à fuga de responsabilidade pelas esferas governamentais.

"Melhor isto do que nada", dirão as más línguas. E talvez a minha própria língua já tenha dito isto à luz das possibilidades libertárias dos processos de leitura em si: o fenômeno de que a leitura autônoma pode levar à emancipação das pessoas e gerar a consciência das necessidades. Esse processo pode ser mais bem conhecido através da leitura do livro O queijo e os vermes - o cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido, de Carlo Ginzburg (Companhia das Letras, 1987). Entretanto, o crescimento do número de livros desses acervos comunitários, a diversificação dos suportes da leitura, a organização, preservação e recuperação das obras, a sofisticação dos serviços de apoio aos usuários, a seleção de livros de interesse da comunidade em seus segmentos (infantil, adulto, 3ª idade) impõem, necessariamente, a presença de serviços especializados para fazê-los. E daí a esperança de que o profissional bibliotecário possa ser envolvido para cuidar dessas tarefas e encaminhar os trabalhos de maneira objetiva e embasada nos saberes sistematizados, oriundos da área de biblioteconomia.

Os estereótipos em torno da figura do bibliotecário são também escaramuças para se esquivar da responsabilidade de sua contratação para trabalhos em diferentes tipos de bibliotecas, principalmente as escolares e as comunitárias. De fato, ao longo da nossa história e sendo muito fortalecida após a década de 1960, foi construída a imagem do bibliotecário como um trabalhador insensível, normatizado e normativista, catalogador de livros, controlador do silêncio dos espaços, estafeta dos castigos escolares, que em muito contribuíram para a sua "dispensa" no momento de constituição e de desenvolvimento das bibliotecas. 

A briga de Darcy Ribeiro 
Recordo-me, por exemplo, das grandes escaramuças entre Darcy Ribeiro, trabalhando para o governo Brizola no Rio de Janeiro (1983-1987), e a classe dos bibliotecários, com aquele afirmando que estes nada tinham a contribuir com a educação pública e com os CIEPs então estruturados. Tal estereótipo, infelizmente, ainda está muito presente no imaginário de muitas autoridades brasileiras, mas convém perguntar a quem esse estereótipo está servindo realmente... No meu ponto de vista, ele também serve à política de esquiva que vem sendo adotada pelos governos em relação à implantação de bibliotecas municipais, escolares e comunitárias neste país. 

Quer dizer, em se tratando de bibliotecas, sempre se dá um jeitinho e dentro desse jeitinho o bibliotecário nunca está incluído!
Para não colocar o bibliotecário como "vítima" de uma história meio ao contrário, acredito ser também importante uma visada crítica para dentro dos cursos de biblioteconomia ou de ciências de informação, oferecidos por diferentes instituições de ensino superior. Com o fim das habilitações, são raros os cursos que desenvolvem uma base adequada de conhecimentos e práticas para atuação que não seja em centros de informações e/ou empresas. 

A realidade escolar e as realidades comunitárias não são refletidas e discutidas ou então são tangencialmente tratadas, fechando o círculo vicioso de que o governo não contrata bibliotecários para as escolas e comunidades e, portanto, não existe por que tratá-las durante o período de formação básica. Daí que, quando da necessidade de profissionais para trabalhar nas bibliotecas escolares, ajeita-se, às carreiras, uma oficina rápida para que professores ou membros de uma comunidade recebam dois pingos de biblioteconomia para "tomar conta da biblioteca".
Biblioteca pública de Birmingham

Em recente visita que fiz a minha cidade natal, cruzei com a filha de um amigo que, sei, possui tão somente o diploma do ensino fundamental. Portanto, sem ensino médio e muito menos o superior. Depois dos apertos de mãos e dos abraços, perguntei o que ela vinha fazendo. Ela me disse que era a responsável pela biblioteca da faculdade local e me pedia, naquele instante, que eu enviasse os meus últimos livros porque os professores e alunos tinham muito interesse nos meus escritos.

Um navio à deriva 
Ora, sem querer desmerecer a escolaridade dessa conhecida e sua dedicação à biblioteca, fiquei perguntando se uma biblioteca de ensino superior poderia ser responsavelmente organizada e dinamizada por uma pessoa tão jovem e com formação leiga ou muito precária. Vê-se, aqui, mais um episódio desta comédia tragicômica chamada "biblioteca brasileira". Sei, também, por exemplo, que falar para muitos prefeitos sobre a necessidade de contratação de bibliotecário é estar disposto a ouvir impropérios de volta.

Finalizando esta reflexão, creio que a melhor imagem da problemática das bibliotecas no Brasil seja a do filme E la nave va, de Federico Fellini. De fato, igual ao infindável problema da leitura no país, "haja paciência" para tanta contradição, para tanto descaso, para tanto cinismo. Se considerarmos uma biblioteca como um lugar para o qual constantemente nos dirigimos a fim de incrementar a nossa humanidade, então cabe indagar se a falta de humanidade em solo nacional, reiterada pela mídia todos os dias, não tem uma relação com a ausência e falta de bibliotecas em solo brasileiro.

Texto Compartilhado de http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/153/artigo234706-1.asp e escrito por Ezequiel Theodoro da Silva é professor colaborador voluntário junto à Faculdade de Educação da Unicamp. Foi Presidente da Associação de Leitura do Brasil (ALB) de 1982 a 1986 e de 2007 a 2008. Foi secretário municipal de Cultura, Esportes e Turismo e secretário municipal de Educação de Campinas na década de 1990.