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domingo, 22 de maio de 2016

A Busca pela Literatura Científica e suas Dificuldades

A Internet definitivamente mudou a forma pela qual a literatura acadêmica é publicada e disponibilizada. Se houve um aumento substancial das fontes de informação, este foi acompanhado pelo surgimento de inúmeras possibilidades de busca e localização da literatura. Motores de busca, bases de dados, indexadores, agregadores, sites Web do periódico e/ou do publisher, redes sociais, ferramentas para comentar e compartilhar publicações e muitos outros foram criados e aperfeiçoados ao longo do tempo, oferecendo aos leitores várias formas de chegar aos mesmos conteúdos. Pouco se sabe, entretanto, sobre os hábitos de busca de leitores da literatura científica – como acadêmicos, pesquisadores, estudantes, professores e profissionais buscam e selecionam conteúdos de seu interesse em meio à sobrecarga de informação disponível.
Um estudo pormenorizado de autoria de Tracy Gardner e Simon Inger, especialistas em publicação e gestão de periódicos científicos, publicado em março de 20161, teve por objetivo preencher esta lacuna. Através de uma pesquisa online realizada com mais de 40 mil leitores entre outubro e dezembro de 2015 em todo o mundo, foi possível aos autores traçar um vasto panorama dos hábitos de leitura dos entrevistados. A pesquisa acrescenta conhecimento a estudos anteriores nos mesmos moldes desenvolvidos pelos autores em 2005, 2008 e 2012, e permite comparar a evolução do comportamento dos leitores nos últimos dez anos. Ademais, a pesquisa incluiu dados sobre a área do conhecimento, país, nível acadêmico e setor dos entrevistados, o que possibilitou traçar um perfil de comportamento de acordo com estas variáveis.
É importante notar, entretanto, que apesar da diversidade de respondentes, os resultados das pesquisas de 2012 e 2015 foram normalizados para se adequar às amostras demográficas de 2005 e 2008. Assim, os resultados destes dez anos são, predominantemente, de pesquisadores acadêmicos nas áreas de ciência, tecnologia e medicina, trabalhando em países da Europa e nos Estados Unidos.
Um resultado importante é que enquanto bases bibliográficas seguem sendo a fonte mais relevante, sua importância vem diminuindo desde 2008, perdendo lugar para motores de busca acadêmicos, redes sociais e serviços de agregadores como EBSCO, ProQuest e JStor. Serviços de bibliotecas ganharam relevância em 2012 e vem mantendo sua posição. Apesar de desaconselhados por bibliotecários, fontes veiculadas pelos próprios periódicos e/ou seuspublishers vem crescendo em importância através das áreas, setores e perfis de países.
Quando se avalia a tendência por área do conhecimento, acadêmicos de países de alta renda em ciências da vida mostram preferência por bases bibliográficas (tipicamente PubMed), apesar de pequena diminuição em comparação com 2012, seguido de motores de busca acadêmicos. Nesta população, redes sociais, agregadores e fontes controladas pelo publisher mostram aumento no mesmo período. Analisando esta comparação com a área de Humanidades (também entre acadêmicos de países de alta renda), observa-se um quadro bastante diverso. Entre 2012 e 2015, apenas as redes sociais tiveram aumento de importância, permanecendo, entretanto, em nível baixo frente a bases bibliográficas, agregadores, serviços de biblioteca e motores de busca acadêmicos.
Apesar da ligeira queda de importância entre 2012 e 2015 em algumas áreas como ciências da vida, medicina, engenharia e ciências da terra, as bases bibliográficas seguem sendo a fonte mais utilizada por acadêmicos em todo o mundo, crescendo de importância em física e astronomia e ciências da computação. As redes sociais, por outro lado, ainda não ocupam uma posição de destaque na busca por literatura, porém mostram significativo aumento de importância a partir de 2012 em todas as áreas do conhecimento.
Os sites de periódicos e publishers cresceram de importância entre 2012 e 2015 em todas as áreas do conhecimento, notavelmente em agricultura, ciências da terra, engenharia, física, ciências da vida, medicina e ciências sociais. Este crescimento pode ser atribuído a ações de marketing dos publishers principalmente através de redes sociais, que realizaram melhorias nos sistemas de busca de seus portais, atraindo principalmente pesquisadores.
Avaliando a preferência de profissionais não acadêmicos como o setor médico, de governo e corporativo, a preferência recai principalmente nas bases de dados bibliográficas, motores de busca acadêmicos e sites de publishers e de periódicos.
Quando se analisa a preferência por área geográfica, nota-se comportamentos bastante distintos. Acadêmicos da Ásia, África e América do Sul ranqueiam sites de publishers, motores de busca acadêmicos e bases bibliográficas no mesmo patamar de importância. Por outro lado, seus pares na Europa e Estados Unidos consideram os primeiros menos importantes em relação aos outros dois. Bases bibliográficas são a principal fonte de consulta entre acadêmicos na América do Sul. Agregadores são menos relevantes na Europa do que nos EUA, e redes sociais são menos importantes na Europa e América do Norte do que nas demais regiões, presumivelmente devido a disponibilidade de textos completos em acesso livre nestes sites. Esta observação vai ao encontro da preferência destas fontes especialmente em países de baixa e média renda, assim como sites de publishers e de periódicos.
O quadro abaixo relaciona as fontes preferenciais utilizadas por pesquisadores da América do Sul para buscar artigos em 2015 (em ordem decrescente de importância):
Base de dados bibliográfica
Motor de busca acadêmico
Site do publisher
Agregador
Motor de busca geral
Site do periódico
Serviços de biblioteca
Alertas de periódicos
Redes sociais gerais e acadêmicas
Site de sociedade científica
 
Quanto à utilização de motores de busca, a pesquisa revela que em 2015 apenas o setor acadêmico prefere o Google Scholar ao Google, sendo o setor corporativo o que menos utiliza o motor de busca acadêmico. No setor acadêmico, o Google Scholar é mais utilizado que o Google nos Estados Unidos e a maioria dos países da Europa, além do Brasil. Por outro lado, a África e Ásia preferem o Google, possivelmente por desconhecer sua contraparte acadêmica. Na China, o uso do Google é parcialmente restrito, sendo substituído pelo Baidu. Somados, Google e Baidu superam o Google Acadêmico naquele país. Analisando por disciplina, o Google Scholar é usado preferencialmente ao Google por acadêmicos das áreas de Ciências Sociais e Políticas, Psicologia, Medicina, Ciências da Vida, Ciências Ambientais, Educação, Ciências da Terra, Ciências da Computação, Economia e Finanças e Ciências Agrárias.

A pesquisa perguntou também aos entrevistados qual a proporção de artigos de periódicos os usuários acessam de diversas fontes. Analisando o setor acadêmico por faixa de renda de seus países, nota-se que sites de periódicos ou publishers, agregadores de texto completo ou coleções de periódicos são os mais frequentes, independente do perfil do país. Possivelmente programas como Hinari, Gift e Agora em países de baixa e média renda contribuem para este resultado. A seguir estão os repositórios institucionais, com maior frequência de uso por pesquisadores de países de alta renda, uma vez que seu uso requer que as instituições criem estes arquivos. O uso de repositórios temáticos, por outro lado, mostra-se independente do perfil do país dos usuários, por seu caráter mais global. Em igual proporção estão as mídias sociais acadêmicas comoResearchgateMendeley ou Academia.edu. A alternativa de cópias de artigos enviadas por colegas ou pelo autor é utilizada em baixa proporção e em igual nível por países de diferentes perfis socioeconômicos. Isso indica que a busca por fontes abertas de literatura é uma prática comum, mesmo entre acadêmicos de países de alta renda, que presumivelmente contam com eficientes recursos de bibliotecas para acessar periódicos de acesso por assinatura.
O uso de dispositivos móveis como tablets e smartfones para buscar e ler artigos científicos vem aumentando nos últimos anos. A partir de 2012, os autores do estudo passaram a incluir no questionário perguntas sobre a frequência de seu uso. Em países de baixa renda, houve uma queda significativa no uso de desktops em favor de tablets e smartfones em 2015, em comparação com 2012, porém o uso de laptops permaneceu inalterado. Em países de alta renda, no entanto, a redução no uso de desktops em favor de dispositivos móveis foi de apenas 4%. Esta tendência reforça o uso crescente destes dispositivos em países de baixa e média renda para várias finalidades acadêmicas. Porém, esta tendência não se observa apenas no mundo em desenvolvimento. O setor médico em todo o mundo apresentou praticamente o mesmo comportamento frente à substituição de desktops por dispositivos móveis para acessar artigos de periódicos. Esta tendência vem fazendo com que sites de publishers e de periódicos ofereçam interfaces adequadas ao uso em tablets e smartfones. O uso de aplicativos em dispositivos móveis para acessar e ler artigos, entretanto, ainda é bastante restrito, sendo mais frequente em países de baixa e média renda e em áreas como a medicina.
Tendo em vista o número de usuários que apontaram os sites de periódicos ou publishers como principal fonte de consulta, a pesquisa perguntou aos entrevistados quais recursos nestes sites consideram úteis. Os resultados apontam que alertas do conteúdo do fascículo, que eram considerados relevantes em 2005 deixaram de sê-lo ao longo dos anos, atingindo o menor valor em 2015. Por outro lado, a indicação de artigos relacionados cresceu desde 2012. Links para referências, serviço de busca por tema ou autor e download de imagens também cresceram de importância desde 2012. Por outro lado, notícias, métricas a nível de artigo, e compartilhamento com redes sociais não atraem a atenção dos acadêmicos de maneira geral, ao contrário do esperado em função da popularidade das redes sociais no compartilhamento de informação sobre literatura científica.
Os resultados deste estudo e das edições anteriores indicam que há uma enorme diversidade na forma pela qual os usuários de diversos setores e áreas buscam e acessam literatura científica. Nota-se um denominador comum, entretanto, que é o conhecimento sobre as várias opções existentes a serviço dos usuários. Os esforços empreendidos por publishers e serviços de bibliotecas para aperfeiçoar os recursos de seus sites vem sendo reconhecidos, considerando o aumento de popularidade destas fontes. As tradicionais bases bibliográficas, entretanto, seguem sendo a mais importante fonte de consulta em praticamente todos os setores e áreas do conhecimento.

Por que o Qualis gera tanta polêmica?


O que é Qualis?
O método Qualis é responsável por classificar a qualidade das pesquisas e dos artigos científicos strictu sensu (não sabe o que é strictu sensu? A gente explica!)com base nos periódicos, revistas, anais e livros onde são publicados.
Há uma infinidade de periódicos disponíveis para pesquisa, mas quais, realmente, apresentam um bom conteúdo? Para “nortear” os pesquisadores quanto a esta busca, serve o Qualis!
De acordo com a definição oficial: “Qualis é o conjunto de procedimentos utilizados pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) para estratificação da qualidade da produção intelectual dos programas de pós-graduação.” 


Como funciona o Qualis?

Há um Qualis específico para cada área, o que significa que um mesmo periódico pode receber classificações diferentes ao ser analisado em duas áreas distintas. O  Journal of the American Ceramic Society recebeu classificação A1 na área de Engenharias II, enquanto, em Química, B1.
Plataforma Sucupira
O Qualis não avalia trabalhos científicos individuais, mas, sim, os periódicos científicos por áreas de atuação.
A regra é simples: “Quanto melhor situado na hierarquia do Qualis, maior o poder de atração e mais as chances de influenciar na captação de financiamentos”. O Qualis, portanto, determina, para você e para a sua pesquisa, qual periódico é bom ou não para publicação.

Critérios de Avaliação

O que eles levam em consideração na hora de avaliar um periódico? 

  • Qualidade dos artigos: os artigos devem ter relevância para a sociedade, um bom nível científico, originalidade e precisam ser bem escritos. Portanto, nada de trabalhos incompletos ou dúbios!
  • Periodicidade: Revistas e periódicos que são antigos no mercado, passam maior credibilidade. A frequência das publicações também garante uma melhor classificação!
  • Qualidade do corpo editorial: diz respeito à banca que analisa os artigos publicados no periódico, afinal, não é qualquer pessoa que sabe analisar, corretamente, trabalhos de natureza científica, né?
  • Diversidade de origens do trabalho: periódicos mais bem classificados são aqueles que possuem desde autores institucionais a internacionais!
  • Difusão e popularidade da revista: se o periódico for bastante conhecido, melhor! Mais pessoas e de diferentes lugares fazem com que o periódico tenha uma boa classificação no Qualis e passe uma maior credibilidade!
  • Indexação: Indexação faz com que qualquer dado ou informação seja facilmente recuperado caso um usuário faça uma busca em um sistema de informação. Para que se tenha uma boa indexação, é necessário que o periódico seja acessível e de qualidade!

Classificação Qualis (Capes)

A classificação Qualis passa, todo ano, por um processo de atualização, porque, com frequência, surgem novos periódicos e de diferentes áreas.  Porém, sua classificação básica varia de acordo com indicativos de qualidade. Os indicativos vão de – A1, o mais elevado; A2; B1; B2; B3; B4; B5 a C – com peso zero.

Para entender melhor a classificação do Qualis, é só constatar os seguintes aspectos de cada indicativo:
A1 e A2 – Excelência internacional
B1 e B2 – Excelência nacional,
B3, B4 e B5 – (relevância média)
C – baixa relevância

Busca no Qualis: entenda como funciona

Consultando o Qualis, vê-se que há três possibilidades de busca, todas por meio da plataforma QualisWeb (Sucupira):
1 – Por ISSN do Periódico:
O ISSN (International Standart Serial Number) é um código de oito dígitos que tem identifica o título de uma publicação em âmbito internacional.
2 – Por título do periódico:
Busca por título completo ou por parte do título do periódico.
3 – Por classificação ou área de avaliação
A Capes classifica os periódicos por áreas de avaliação, o que torna a sua pesquisa por área e/ou relevância ainda mais fácil.

Qualis para Eventos?

Até 2009, o Qualis também classificava os eventos de natureza científica. Mas, como é atualizado periodicamente, a atividade foi suspensa e, atualmente, só são analisados periódicos científicos (divulgada ao público) e livros (não divulgados, uma vez que são utilizados, apenas, no processo de avaliação interno).

Polêmicas em torno do Qualis

Muito se questiona, no Brasil, o método Qualis de classificação dos trabalhos científicos. O Qualis é atualizado periodicamente e uma de suas mudanças, no ano de 2009,  provocou, segundo estudiosos, a “extinção” das revistas científicas brasileiras, isto porque as revistas brasileiras passaram a ser comparadas com publicações da Europa e dos Estados Unidos. Confira a matéria:
Antônio Ozaí da Silva, professor na Universidade Estadual de Maringá (DCS/UEM) e editor das revistas Espaço Acadêmico, Urutágua e Acta Scientiarum, em seu artigo “A sua revista tem Qualis?”, propõe uma crítica ao método Qualis:
Para além do discurso da busca da qualidade, o qual parece sensato, o fato é que essa política classificatória, hierarquizante e potencialmente indutiva (o Qualis), influencia o fluxo das publicações e, conseqüentemente, o cotidiano dos docentes e suas expectativas, bem como as dos programas de pós-graduação. Isso se estende às agências de fomento e aos processos de avaliação dos professores pelas instituições de ensino. Quanto melhor situado na hierarquia do Qualis, maior o poder de atração e mais as chances de influenciar na captação de financiamentos.
Em relação à polêmica quanto à eficiência do Qualis, em entrevista para a Gazeta do Povo, Edilson Silveira, da UFPR, disse:
A classificação tem mais a ver com o impacto na área, com o número de citações, mas é claro que revistas com conceitos não tão altos também publicam bons artigos.
É fato: o sistema Qualis gera dúvidas quanto à qualidade de avaliação dos projetos científicos, mas, ainda assim, é o principal método de avaliação utilizado no Brasil! Na hora de elaborar seu projeto, pense em qual periódico deseja vê-lo publicado! Escreva-o de acordo com os critérios do periódico e se o tema da sua pesquisa se adéqua à proposta dele! Nada de trabalhos mal feitos, hein? Invista em qualidade e conteúdo!

segunda-feira, 7 de março de 2016

Bibliotecas como coworkings, startup, incubadoras e investidores de negócios

Que tal ver a Biblioteconomia como coworkings, startup, incubadoras e investidores de negóciosO post de hoje vem contribuir para o crescimento do profissional de Biblioteconomia na Era Digital oferecendo uma nova linha de pensamento sobre a profissão e seu ambiente de trabalho, confira:

Bibliotecas como coworkings, startup, incubadoras e investidores de negócios
Por Marcelo Cristovão e Priscila Frevier
O conceito co-working, surgiu no Estados Unidos, mas não é tão disseminado ainda no Brasil, como aonde nasceu. Mas sem duvida não para de crescer. Essa palavra significa escritórios compartilhados ou espaços de trabalhos compartilhados, Isto é, o empreendedor aluga o espaço , pode ser uma sala individual com uma ou mais mesas, pode ser uma sala de reunião, para encontro com possíveis clientes ou investidores. Além disso compartilham valores com outros utilizadores e encontram união e cooperação mutua necessárias para fazer prosperar a sua ideia ou negócio.  E podendo utilizar a infraestrutura do local como, internet, copa, sala de convivências, onde você pode interagir e trocar idéias com outros indivíduos empreendedores da mesma área de atuação que a sua ou de outras diversas áreas ( SPINA, 2012).

As bibliotecas estão vivenciando uma crise resultante do surgimento e crescimento da utilização da internet e dos equipamentos e aparatos tecnológicos, que são acessíveis nos dias de hoje, e é utilizado por uma grande parte da população, esse uso é mais expressivo nos países mais desenvolvidos.
Neste contexto, as bibliotecas  se depararam com novos desafios e oportunidades, com isso não poderiam deixar de se adaptarem as novas tendências e necessidades da sociedade, reinventando seus papéis ou simplesmente criando novos.
Em alguns tipos de bibliotecas é possível verificar que os usuários a usam como locais de trabalho, mas eles tinham que se adaptar às políticas de utilização, muitas vezes restritivas mais afastando os usuários do que propriamente oferecendo um ambiente aberto e propício para serem usados sem tantos entraves.
Atualmente, existem diversas bibliotecas que oferecem ambientes que podem ser utilizados como espaço de trabalho, que tem um nível ruído menor do que estamos acostumados em uma sala estudos em uma biblioteca, possibilitando o uso de telefones celulares, assistir a vídeos, etc. Esses espaços podem ser destinados  a empreendedores ou trabalhadores autônomos, possuindo muitas vezes auditórios, oficinas, laboratórios, etc como é o caso da Biblioteca Parque Estadual do Rio de Janeiro e a Biblioteca São Paulo, construída no antigo Carandiru.
No artigo de Ferreira, Vieira, Correia, Marques e Mangas apresentam as bibliotecas públicas como espaços de coworking.  Um outro bom exemplo de uma biblioteca pública como um espaço coworking pode ser visto  na  Biblioteca Pública de Scottsdale, que fica no Arizona , no Estados Unidos, foi criado uma espaço chamado Coworking Spaces, onde é possível reservar auditórios, sala multiusos, sala de reuniões. Esses serviços podem ser utilizados durante o horário de funcionamento da biblioteca, inclusive aos domingos. São espaços gratuitos de partilha de ideias e de conhecimento que podem servi como local  de trabalho, onde além de poderem utilizar os recursos da biblioteca, também tem a ajuda de funcionários da biblioteca, que são especializados pela própria universidade para atender esses usuários.
Com essa mudanças algumas bibliotecas passaram a ser um ambiente de co-working e incubadoras de ideias. Esse espaço devem ser utilizados por empreendedores startups que estão começando seu negócio,  que precisam economizar, que queiram aumentar seu network ( rede de contatos), ou simplesmente aprimorar sua ideia inovadora. Além do espaço, as bibliotecas também podem oferecer recursos e serviços voltados para as necessidades desses empreendedores que querem começar novos negócios ou mesmo criarem produtos inovadores.
Para os bibliotecários que estão pensando em empreender, é importante conhecer a estrutura e funcionamento das incubadoras, das aceleradoras e dos investidores de negócios pretendidos para fazer as escolhas, para tomar as decisões adequadas sobre seu negócio e conhecer as possibilidades que tem para iniciar ou alavancar seu empreendimento. Além disso, os bibliotecários com perfil intraempreendedor podem oferecer esses espaços dentro de ambientes apropriados em bibliotecas para promover essas instituições e novos negócios.
Na década de 90, nos Estados Unidos, o empreendedorismo startup começou a ganhar destaque. De acordo com Toledo [2014], o termo startup ficou mais famoso durante a primeira grande bolha da internet (dot-com bubble), nos Estados Unidos, entre 1995 e 2000. Significava uma ou mais pessoas, executando uma ideia, para possivelmente se tornar uma empresa rentável.
Já no Brasil, o empreendedorismo startup ficou conhecido somente entre os anos de 1999 a 2001, com a sua atuação no mercado eletrônico (ALENCAR, 2012). É importante mencionar que “a palavra “empreendedor” (entrepreneur) tem origem francesa e quer dizer aquele que assume riscos e começa algo novo.” (DORNELAS, 2014).
Duton (2012) afirma que “uma startup pode ser considerada “uma empresa emergente de grande potencial”, ou ainda, “uma empresa projetada desde o início pra ser grande!”. Desta forma, apontamos o empreendedorismo startup como empresas novas, ou seja, empresas incubadoras de empresas.
Para Gitahy (2011), o termo startup é definido como “um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza”. Em meio a esta definição, definir alguns conceitos considerados fundamentais para entender o funcionamento de uma startup.
Começamos pelo cenário de incertezas que está relacionado com a ideia do projeto e também com a percepção de estar ou não no caminho certo. Já o modelo de negócios está ligado ao poder de gerar valor. As startups cresceram muito, principalmente no ramo da tecnologia, como por exemplo, na criação de aplicativos e no e-commerce.
Desta forma, percebemos que há a necessidade de ter um excelente modelo de negócio e um plano de negócio bem feito para atrair investidores para uma startup.
ASSESSORIA PARA NEGÓCIO
Uma forma de iniciar bem um negócio é contar com a ajuda de uma assessoria para negócio. São elas que auxiliarão o empreendedor a passar pela primeira fase, que pode ser dita como a fase mais difícil do empreendimento, que é a sobrevivência. O dono do negócio por mais confiante que seja, se não estiver bem amparado na fase inicial do seu empreendimento, podem aparecer dificuldades e problemas, na qual não saberá resolver, podendo transforma seu sonho em pesadelo de uma hora para outra (DORNELAS, 2008). 

Adiante será mostrada algumas assessorias para negócios.
1) Incubadoras de empresas
Segundo Dornelas (2014), as incubadoras de empresas são entidades sem fins lucrativos, destinadas a amparar o estágio inicial de empresas nascentes que enquadram em determinadas áreas de negócios.
As incubadoras de empresas têm por finalidade disponibilizar suporte para os empreendedores no estagio inicial de seu negócio, para que eles desenvolvam ideias inovadoras e que possa transformá-las em empreendimentos de sucesso. Para isso, as incubadoras oferecem infraestrutura, como laboratórios, telefone, internet, copiadoras, correios, luz, água, segurança, aluguel de área física etc. e suporte gerencial,esses serviços são compartilhados, é pago uma taxa mensal para a utilização desses. Essas incubadoras orientam os empreendedores quanto à gestão do negócio e sua competitividade, entre outras questões importantes e essências ao desenvolvimento de uma empresa de sucesso (DORNELAS, 2014; ANPROTEC , 2011).
A Anprotec (2011) realizou um estudo juntamente com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), onde concluiu que o Brasil tem 384 incubadoras funcionando, nelas estão abrigadas 2.640 empresas. Essas incubadoras graduaram mais de 2.509 empreendimentos.
Segundo a Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios (2014), as incubadoras de mais destaque no Brasil são: Bio-Rio (Rj); Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas – CELTA (SC); Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial – CIDE (AM); Cietec (SP); COPPE-RJ (RJ); Incamp (SP); Incubadora de Empresas Habitat (MG); Incubadora de Empresas Padetec (CE); Incubadora de Empresas e Projetos do Inatel (MG); Incubadora de Empresas Uniderp/Interp (MS); Incubadora Multisetorial de Base Tecnológica e Inovação Raiar (RS); Incubadora Tecnológica de Campina Grande (PB);  Incubadora Tecnológica de Curitiba (PR); Inova- UFMG (MG); Instituto Gene Blumenau (SC); Instituto Gênesis/PUC-RJ (RJ); Midi Tecnológico (SC); Multi-incubadora do CDT/UNB (DF); Núcleo de Empreendimento em Ciência, Tecnologia e Arte – Nectar (PE) e Programa de Incubação de Empresas de Base Tecnológica da UFPA (PA).
Para ser uma empresa incubada , o empreendedor e sua empresa participam de um processo seletivo na incubadora pretendida, devendo apresentar entre outros documentos, um plano de negócios bem elaborado, que é um do documentos mais importante para esse processo.
2)Aceleradoras de empresas
Uma outra opção de assessoria são as aceleradoras, que se paracem com as incubadoras em diversos aspectos. As aceleradoras são entidades privadas, que visam ao lucro e trabalham como capitalista de risco, ou seja, além de oferecerem infraestrutura, suporte e auxílio na gestão, entram também com o capital essencial para começar o negócio em troca de uma participação no empreendimento, diferente das incubadoras, que costumam cobrar pequenos valores somente pela utilização da infraestrutura oferecida. Ela pode ser procurada tanto em fase de  constituição do empreendimento ou já em desenvolviemento  (DORNELAS, 2014; SPINA, 2013).
No Brasil existem mais de 30 aceleradoras, algumas delas são a 21212 ( Rio de Janeiro), Germinadora ( São Paulo), 85 labs ( Ceára), Estarte.me ( Rio Grande do Sul) entre outras (ANJOS DO BRASIL, [2014?]).
Além das incubadoras e aceleradoras , que ajudam potenciais empreendedores de startups de sucesso abrir suas empresas, existe os investidores de negócios que podem ser uma opção para que o sonho de alguns empreendedores se realizem.
INVESTIDORES DE NEGÓCIO
A falta de capital para transformar a ideia em realidade é um mal que prejudica muitos empreendedores. Mas, existem diversos investidores de negócios interessados em investir em ideias inovadoras.  A seguir são apresentadas, alguns de vários investidores de negócios e quais são mais procurados de acordo com a fase em que as empresas se encontram.
Fase inicial do empreendimento ( fase de constituição):
  • Investimento de economia pessoal, família, amigos: é um tipo de financiamento mais comum, onde é valorizada a confiança e amizade. Nesse tipo de investimento a amizadade e a confiança entre as pessoas e o empreendedor vale mais que um plano de negócios .O financiamento pode ser por meio de empréstimo (dívida) ou equidade (participação no negócio). Além de recorrer aos familiares e amigos, o empreendedor também pode usar as suas economias.  (DORNELAS, 2014).

  • Investidores Privados (Angel investor): são conhecidos também como investidores anjos, são pessoas físicas que investem seu capital disponível em idéias inovadoras, empreendimentos  startups. Para que isso ocorra, é analisado muito bem o plano de negócios e o potencial da empresa. Em troca desse investimento, eles ficam com uma participação acionaria ou de uma quota do capital social da empresa  que investiram. Esses tipos de investidores  se envolvem na gestão do negócio,e gostam de dar conselhos e de opinar (GITAHY, 2011; ANJOS DO BRASIL, [2014?])

Fase de desenvolvimento (fase de expansão):

  • Capital de risco (Venture capital):  os investidores de capital de risco, geralmente são grandes bancos de investimentos, que tem em sua equipe profissionais de altíssimo nível e com uma gama de experiências no mercado financeiro, que estão acostumados a administar grandes quantias de dinheiro. Essa empresa tem como sua principal função encontrar empreendimentos  com um alta capacidade de desenvolvimento em cerca de três a cinco anos, que possam ter retornos sobre o capital que foi investido , bem acima da média do mercado. Por isso esse nome, capital de risco ouventure capital. Para que o empreendedor consiga fazer com que um capitalista de risco , aplique dinheiro em sua empresa, ele deve mostrar que suas empresas tem alguma características essenciais que são, uma ótima equipe de gestão, um excelente plano de negócios, um mercado- alvo significativo e em desenvolvimento e uma idéia que realmente seja inovadora (DORNELAS, 2014)
É de extrema importância ressaltar que um  plano de negócio bem elaborado é uma ferramenta esencial para  empreendedor que está em busca de um investidor, é a partir da analise dessa ferramente que os investidores poderão decidir por investir ou não no empreendimento. 

EMPREENDEDORISMO STARTUP NA BIBLIOTECONOMIA
Na Biblioteconomia, empreendedorismo startup ainda é pouco difundido, mas pode ser identificado  algumas práticas empreendedoras nesse modelo de negócios.
Nos últimos meses foram destacados o serviços de aluguel oferecido pela empresa Amazon. Onde o leitor pode ter acesso a mais de 600 mil títulos por um preço fixo ao mês. Esse tipo de serviço também vem sendo disponibilizado por outras empresas que perceberam um promissor segmento de negócio. Esse serviço também é conhecido como “ netflix para livros”. Além da Amazon, esse serviços para aluguel ou assinatura ebooks tembém são oferecidos por outras empresas como, Scribd, Oyster Books e o Entitle, nos Estados Unidos. Já no Brasil, temos a Árvore de Livros e o Nuvem de Livros (SANTIAGO, 2014; SERRA, 2014)
Nos infográficos a seguir pode ser visto quanto custam esses serviços, a quantidade de títulos em seus acervos, valores, disponibilidade por localidade:

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Fonte: Folha de São Paulo, 2014.

Na Amazon, o dono de qualquer modelo de Kindle, e que seja membro do programa Amazon Prime,pode fazer o empréstimo de livro digital, por tempo indeterminado. Só será feita autorização de um novo empréstimo quando o título que estava com o leitor for devolvido (AMAZON, 2014).

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Fonte: Folha de São Paulo, 2014.

No Árvore de Livros o leitor pode fazer o empréstimo e ler qualquer e-books que esteja disponível na Biblioteca digital, podendo utilizar-se até três obras ao mesmo tempo. O empréstimo é feito no periodo de duas semana. Ao término desse período o título sai da estante virtual do usuário e volta para o acervo da biblioteca digital. (ÁRVORE DE LIVROS, 2014).
Nuvem de Livros  o usuário pode ter acesso a milhares de títulos, como audiolivros, vídeos, teleaulas etc. Pode ser acesso diretamente do computador, celular ou tablet é um serviço oferecido para clientes da operadora Vivo. O período de assinatura pode ser semanal ou mensal, com renovação ocorrendo de forma automática . (NUVEM DE LIVROS, 2014).
Apesar desse segmento levantar diversas questões ainda, como “Como os autores e editores vão reagir? Será que as grandes editoras (Big five) vão negociar com a Amazon a inclusão de seus títulos nesse serviço? O que a oferta de aluguel pode representar à cadeia produtiva do livro? E as bibliotecas, ainda terão seu espaço assegurado? Que tipo de leitor terá interesse nesse serviço? “(SERRA, 2014).
Esse segmento de negócio é muito promissor, pois o livro digital é uma opção de acesso à informação e que é utilizada a todo tempo nos dias hoje.

Artigo Escrito e Publicado por Marcelo Cristovão e Priscila Frevier no site http://empreendebiblio.com/bibliotecas-como-co-workings-startup-incubadoras-e-investidores-de-negocios/ 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Bibliotecas e suas Mudanças Inevitáveis


As Bibliotecas tradicionais  tem enfrentado um mundo de mudanças rápidas, forçando o Bibliotecário a ser mais criativo e inventivo. Mudanças que não ocorrem só na forma de conceber, planear, organizar e gerir, mas também em como abordar mudanças estruturais que condicionam o futuro das mesmas.
Nesse artigo compartilhado do site Bibliotecativa falaremos sobre 09 métodos a serem aplicados e que garantem resultados, dá uma olhadinha:
 1. Biblioteca  |  Internet
Com o surgimento, expansão e consolidação da internet começou a consubstanciar-se a visão utópica da bibliotheca mundi. Nessa visão todo o conhecimento humano estaria global e instantaneamente acessível a todas as pessoas.
A crença que a Internet é o repositório de todo o conhecimento humano leva que a generalidade das pessoas recorra à internet em vez da biblioteca enquanto meio privilegiado para aceder ao conhecimento.
A biblioteca tradicional (enquanto repositório do conhecimento humano) viu a sua função visão fundadora colocada em causa.
É fundamental acompanhar a mudança de paradigma. É uma passagem do mundo fechado (biblioteca) ao universo infinito (internet). Da biblioteca material à desmaterialização da biblioteca. Da biblioteca centrada nos livros à biblioteca centrada nas pessoas.
Essa nova biblioteca apresenta um conjunto de características diferenciadoras. Ela é glocal, hibrida, mediadora, multicultural, proactiva, inovadora, sedutora, participada, afetuosa, sustentável.
 2. Impresso  |  Digital
A segunda mudança estrutural prende-se com a passagem do impresso para o digital. É uma mudança no suporte para o registo, armazenamento e disseminação do conhecimento.
Essa mudança trás também consigo uma cada vez maior multiplicidade de formatos. Essa passagem não se inscreve numa lógica de natural evolução, mas sim de radical transformação.
A alteração do suporte trouxe também consigo uma mudança no conteúdo, tanto ao nível das suas caraterísticas intrínsecas como extrínsecas.
Em última instância, esta mudança estrutural veio alterar a própria substância do conhecimento.

3. Texto  |  Multimédia

O texto tem vindo a perder terreno para o multimédia. A sua natureza digital, permite ao multimédia combinar diferentes fragmentos de informação. Dando origem a uma multiplicidade de formatos e lógicas. Dando origem a uma experiência mais dinâmica, interativa e apetecível.
Os livros tradicionais (essencialmente compostos por textos impressos) são substituídos por artefactos digitais (essencialmente compostos por multimédia).
A própria forma de apropriação do texto e do multimédia são profundamente diferentes. O texto é apropriado através de um processo de leitura. O multimédia é apropriado através do um processo multissensorial.
Também aqui a biblioteca tradicional perde terreno face à internet.

4. Catálogo  |  Google

Tradicionalmente o catálogo é o fio de ariadne da biblioteca. Ele permite ao leitor encontrar um livro no meio dos milhares/milhões de livros disponíveis. E, deste modo, aceder ao conhecimento contido nesse livro.
O Google é o fio de ariadne da internet. Ele permite ao leitor encontrar uma lista pertinente de recursos digitais disponíveis na internet. E, através de navegação, aceder imediatamente a esses recursos.
A natureza do catálogo da biblioteca é diferente da natureza de um motor de busca. Esta diferença é notória não somente na abrangência como também na eficácia da pesquisa.
A opção mais comum é clara. Para realizar uma pesquisa recorre-se em primeira instância ao Google para encontrar recursos na internet. A pesquisa no catálogo da biblioteca para encontrar livros só surge em última instância.
Mais uma mudança estrutural que determina uma mudança de paradigma de biblioteca.

5. Leitores  |  Utilizadores

O público das bibliotecas municipais é composto essencialmente por utilizadores. Que podemos definir como pessoas que frequentam os espaços da biblioteca como locais de estudo ou de acesso à internet e que não recorrem aos fundos documentais.
Poucos são efetivamente os leitores. Que podemos definir como pessoas com hábitos de leitura que utilizam o serviço de leitura presencial ou o serviço de empréstimo domiciliário de livros, revistas ou jornais.
É a própria natureza do público das bibliotecas municipais que mudou. Essa mudança implica uma mudança também do enfoque da biblioteca. Ou seja, a passagem da biblioteca centrada nos livros para a biblioteca centrada nas pessoas.
Essa mudança de enfoque implica que se conheçam quem são, o que pretendem e como se comportam os utilizadores das bibliotecas municipais. Implica também, acima de tudo, repensar a natureza da biblioteca municipal.

6. Posse  |  Acesso

Nos tempos primordiais as bibliotecas eram grandes repositórios de livros. Tinham por missão proteger a civilização contra as investidas da barbárie.
Com o surgimento das modernas bibliotecas públicas a tónica foi colocada na disponibilização do acesso aos livros por parte do cidadão comum. Surgem o livre acesso às estantes e empréstimo domiciliário.
Atualmente os polos inverteram-se. As últimas tendências da internet (cloud e streaming) levam a que a posse passe totalmente para segundo plano face ao acesso.
Esta tendência tem um fortíssimo impacto no próprio conceito de coleção e de acesso no âmbito das bibliotecas públicas. Em última instância leva à desmaterialização das coleções das bibliotecas.

7. Massificação  |  Personalização

As bibliotecas municipais tentam chegar a todos os segmentos da população. Para isso disponibilizam serviços genéricos para públicos indiferenciados.
Todavia, as potencialidades trazidas pela tecnologia permitem uma quase total personalização. O acesso e disponibilização aos conteúdos é feito em função do perfil de preferências individuais.
Exemplos máximos desse novo fenómeno são a Google, a Amazon e o Facebook. Poderosos algoritmos permitem determinar (para o melhor e para o pior) as escolhas de cada um de nós. Permitem antecipar as necessidades do cliente a partir do histórico de pesquisas, de compras ou de gostos.
Num ambiente exclusivamente digital as bibliotecas não têm como competir contra tão poderosos adversários.
Somente ao nível da prestação de serviços presenciais as bibliotecas podem levar vantagem. A aposta em serviços inovadores e num atendimento altamente qualificado é determinante.
Mas isso implica uma postura completamente diferente daquela que é praticada pelos profissionais na maioria das bibliotecas.

8. Just-in-case  |  Just-in-time

As bibliotecas municipais constituem as suas coleções com critérios de abrangência, diversidade, atualidade e pluralidade. Partem do pressuposto que estas devem responder a um qualquer pedido, num qualquer momento, de um qualquer utilizador.
Para além das limitações próprias desta filosofia, ela é hoje em dia duplamente colocada em causa.
Por um lado, pela não existência da prática de empréstimo interbibliotecas entre as bibliotecas municipais portuguesas. O que faz com que cada biblioteca municipal esteja circunscrita aos seus próprios fundos documentais.
Por outro lado, pela possibilidade de qualquer utilizador aceder a um número quase infinito de documentos disponíveis em tempo real na internet. O que faz com que a internet substitua a biblioteca na instantaneidade e na abrangência.

9. Reactividade  |  Proactividade

Perante todas as mudanças estruturais anteriormente caracterizadas há que efetuar uma outra mudança ao nível das mentalidades.
Essa mudança implica a passagem de uma atitude expectante e reativa para uma atitude liderante e proactiva. Essa é uma mudança substantiva que determinam o papel e o estatuto que os profissionais que trabalham nas bibliotecas municipais poderão ter no futuro.
Para transformar as bibliotecas municipais portuguesas há que, antes de mais, transformar a atitude dos profissionais que nelas trabalham. Esse é um processo inevitável, urgente e de extrema importância.
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