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quarta-feira, 2 de março de 2016

O empreendedorismo e a Biblioteconomia

Empreendendo na Biblioteconomia - OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS E NOVOS CENÁRIOS PARA O MERCADO NA ÁREA DE INFORMAÇÃO PARA BIBLIOTECÁRIOS EMPREENDEREM

Artigo escrito e publicado por Douglas Felipe Andrade, Nathalia Lima Romeiro e Victor Rosa Soares 
O empreendedorismo surgiu nas ciências administrativas e no espaço empresarial que é onde cada vez mais bibliotecários estão criando seus próprios negócios empreendendo  para suprir demandas da sociedade, seja por meio de consultorias às organizações, realizando capacitações ou prestando serviços na área de informação.
Na história da Biblioteconomia, sabe-se que com a invenção da imprensa por Gutenberg no século XVI houve uma multiplicação dos livros valorizando a atuação dos bibliotecários na organização, controle, disseminação e acesso às obras.
Burke (2002) explica que a tarefa de encontrar informações em livros é dificultada quando não há uma organização e facilitada pelo fato da informação ser registrada. Aos poucos se desenvolveram catálogos e bibliografias que facilitam o acesso a informações desejadas.
Segundo Popper (2003), no século XX, após a Segunda Guerra Mundial, o renascimento científico acarreta no fenômeno “explosão da informação”, relacionado mais uma vez ao excesso de informação produzida e registrada.
Dentro desse contexto de “boom informacional” e entendendo a informação como registro em algum suporte, percebe-se duas tarefas essenciais do bibliotecário: tratar/organizar esta informação para ser recuperada e disseminá-la para que seja útil para a sociedade, mercado e pesquisadores em geral.
Disseminá-la de modo a suprir as demandas de seus usuários, ou em um contexto mais empreendedor: de seus clientes. Empresas e profissionais que necessitam de informações precisas podem contar com o trabalho ou com os serviços prestados por um bibliotecário que tem as competências necessárias para agregar valor ao negócio e também gerar um diferencial competitivo para essas organizações.
Como exemplo, sabe-se que bibliotecários conhecem as fontes de informação e diversas empresas precisam de informações geográficas e/ou estatísticas e precisam ter um profissional adequado para encontrá-las, filtrá-las e tratá-las para que possam ser usadas em uma tomada de decisão estratégica.
O bibliotecário é o profissional ideal para suprir estas necessidades informacionais.   O conceito de necessidade informacional definido por Wilson em 1981 descreve uma experiência subjetiva que ocorre apenas na mente de cada indivíduo, não sendo, portanto, diretamente acessível ao observador.
A necessidade só pode ser descoberta por dedução, através do comportamento, ou por um ato de enunciação da pessoa que a detém. Esse caráter subjetivo já estava evidente na definição formulada por Burnkrant em 1976, na qual o autor afirmava que a necessidade informacional era a representação cognitiva da futura conquista de um desejo (SILVEIRA-MARTÍNEZ; ODDONE, 2007, p. 119)
A necessidade informacional de um usuário pode ocorrer através de uma pergunta que ele se faça e para a qual ele não tem a resposta. Segundo Pereira (2008), uma necessidade informacional representa uma lacuna entre o que o usuário sabe e o que ele deseja saber e, a partir disso, busca informações que possam suprir esta necessidade para seu uso.
Deste modo, o bibliotecário se insere no contexto de buscar a informação desejada. Trazendo para o ambiente dos negócios, pode-se trocar o termo indivíduo por empresa e usuário por cliente.
Bibliotecários podem ter as empresas como clientes, pois estas empresas possuem necessidades informacionais e no campo mercadológico, perder tempo é perder dinheiro. Para abrir um negócio e ser empreendedor, o bibliotecário deve ter um perfil empreendedor, deve ter uma boa ideia e deve inovar, deve oferecer algo novo com base nas necessidades informacionais dos clientes e de empresas.

A partir de suas competências, o bibliotecário pode desenvolver diversos negócios ligados à gestão, disseminação, mediação, organização e recuperação da informação. Diversas áreas do conhecimento passaram por transformações desde o surgimento de computadores, da Internet e com a constante aparição de novas tecnologias.
Estas novas tecnologias agem como facilitadoras de diversos processos na sociedade surgindo em ritmo acelerado. Com constantes mudanças e transições, os hábitos e necessidades de informação da sociedade também se modificaram. A atual sociedade hoje é tratada na literatura como Sociedade da Informação, e entre suas características, Castells (2000, apud WERTHEIN, 2000, p. 72) apresenta:
  • A informação é sua matéria-prima: as tecnologias se desenvolvem para permitir o homem atuar sobre a informação propriamente dita, ao contrário do passado quando o objetivo dominante era utilizar informação para agir sobre as tecnologias, criando implementos novos ou adaptando-os a novos usos.
  • Os efeitos das novas tecnologias têm alta penetrabilidade porque a informação é parte integrantede toda atividade humana, individual ou coletiva e, portanto todas essas atividades tendem a serem afetadas diretamente pela nova tecnologia.
  • Predomínio da lógica de redes. Esta lógica, característica de todo tipo de relação complexa, pode ser, graças às novas tecnologias, materialmente implementada em qualquer tipo de processo.
  • Flexibilidade: a tecnologia favorece processos reversíveis, permite modificação por reorganização de componentes e tem alta capacidade de reconfiguração.
  • Crescente convergência de tecnologias, principalmente a microeletrônica, telecomunicações, optoeletrônica, computadores, mas também e crescentemente, a biologia. O ponto central aqui é que trajetórias de desenvolvimento tecnológico em diversas áreas do saber tornam-se interligadas e transformam-se as categorias segundo as quais pensamos todos os processos.
  Werthein (2000) atenta ainda para o fato de não apenas novas tecnologias influenciarem os atos comportamentais da sociedade, mas existem também fatores sociais e políticos.
O bibliotecário recupera e dissemina a informação para seus usuários, mas se pensarmos ao invés de usuários em clientes “consumidores de informações”, que pagariam para obtê-la, há maneiras de se criar negócios dessa forma.
Na literatura da área, usuário é o termo mais utilizado chamar quem busca informação.Segundo Dias e Pires (2004, p. 7), o termo usuário “diz respeito tanto ao especialista que interroga uma base de dados como aquele que solicita um serviço (resposta a uma questão ou uma pesquisa bibliográfica); ao cliente de um serviço; ao produtor de informação; entre outros”. Entretanto, também é possível encontrar o termo comunidade que, segundo Dias e Pires (2004), se refere, pensando os tipos de bibliotecas, aos grupos aos quais se dirigem.
No caso de uma empresa, esta também serve a uma ou mais comunidades, prestam serviços para um grupo específico de pessoas ou presta um serviço específico para vários grupos de pessoas. E outro termo, utilizado de modo comercial segundo Dias e Pires (2004) é cliente. Entende-se aqui por cliente aquele que compra o serviço prestado.
No caso da Biblioteconomia, a primeira lei criada para dispor sobre a profissão de bibliotecário e regular seu exercício é a lei 4.084 de 30 de junho de 1962. O bibliotecário é o Bacharel em Biblioteconomia, formado em curso a nível superior e entre suas atribuições, de acordo com a lei (BRASIL, 1962), destacam-se: ensino de biblioteconomia, administração e direção de bibliotecas, organização e direção dos serviços de documentação e execução dos serviços de classificação e catalogação de manuscritos e de livros raros e preciosos, de mapotecas, de publicações oficiais e seriadas, de bibliografia e referência.
O fazer biblioteconômico, entretanto, estende-se a outras áreas pelas atividades que o bibliotecário exerce com maior prática na atual sociedade da informação. É comum o aluno de graduação do curso ou o profissional formado estagiar/trabalhar em novos mercados. A atuação desse profissional não deve se limitar às bibliotecas, salas de leitura e centros de informação.
As possibilidades de atuação do bibliotecário, segundo a entidade americana Association of Independent Information Professionals (2004, apud MOTA; OLIVEIRA, 2005, p. 105), encontram-se nas áreas de:
  • Indústria e negócios – no atendimento a empresários executivos que necessitam de informações precisas, que os mantenham em nível de competição com outras empresas [...];
  • Pesquisa jurídica – no gerenciamento de bibliotecas ou unidades de informação (públicas e/ou particulares) no campo jurídico fornecendo informações sobre leis, estatutos, andamento de processos, recursos ou argumentos informacionais que podem ser utilizados por advogados de defesa e/ou acusação em um julgamento etc.;
  • Saúde – no processamento de informações (utilização de descritores, metadados, definição de linguagens de indexação e terminologias), desenvolvimento e gerenciamento de Sistemas de Informação, como os Registros Eletrônicos em Saúde e Prontuários Eletrônicos dos Pacientes, no gerenciamento de bases de dados estatísticas e bibliográficas, por exemplo, sobre epidemias, cuidados com a saúde, no fornecimento de informações que possam auxiliar médicos e enfermeiros no processo de tomada de decisão, subsidiar políticas públicas na área da saúde e promover programas de prevenção de doenças;
  • Bancos e finanças – na recuperação e análise de informações estratégicas e competitivas determinantes para transações comerciais e financeiras de sucesso;
  • Poder público – em diversas instâncias, que vão desde a atuação em universidades e centros de pesquisa até arquivos públicos e gestão de bancos de dados que incluem documentos orçamentários, pesquisa sobre distribuição de renda, qualidade de vida da população etc.;
  • Ciência e Tecnologia – no fornecimento de informações para o embasamento e a consolidação de pesquisas de profissionais de todas as áreas do conhecimento, atendendo desde pesquisadores de Ciências Exatas até os de Ciências Humanas;
  • Document Delivery ou Entrega de Documentos – na disponibilização e entrega em domicílio de documentos on-line e/ou impressos (artigos, livros, pesquisas de mercado, etc.), obedecendo à fixação de tarifas. Esse trabalho pode ser realizado de maneira autônoma ou institucional. No segundo caso, o Brasil conta com a Bierme, o Comut e o Scielo, entre outros.
No Brasil, o mercado de trabalho é dividido por Valentim (2000, apud MOTA; OLIVEIRA, 2005, p. 106) em três grupos:
  • Mercado Informacional Tradicional, que se compõe de bibliotecas públicas, universitárias, escolares, especializadas, centros culturais e arquivos;
  • Mercado Informacional Existente e Não-Ocupado, que inclui editoras, livrarias, empresas privadas, provedores de Internet, bancos e bases de dados;
  • Mercado Informacional de Tendências, que compreende a atuação em centros de informação/documentação em empresas privadas, bancos e bases de dados eletrônicos e digitais, portais de conteúdo e portais de acesso na rede global (Internet) e em redes institucionais internas (Intranet).
A atuação do bibliotecário pode ocorrer em instituições privadas ou de maneira autônoma, principalmente, voltada para o mercado informacional com novas tendências conforme citado por Valentim (2000).
Essas tendências podem surgir a partir
de idéias inovadoras de negócios voltados para a gestão da informação. O profissional com uma boa ideia pode inovar abrindo um negócio em uma área com múltiplas facetas como é a informação.
De acordo com o que foi apresentado até agora, existem grandes, novas e inúmeras possibilidades de atuação para o bibliotecário empreender. Ele é um profissional que se destaca na atual sociedade da informação, não somente pelas competências formadas ao longo da graduação de outros meios de aprimoramento profissional, mas também pelas habilidades que ele possui e que são demandadas pelo mercado competitivo.
Perceber oportunidades de negócios e ideias para empreender é que fará o diferencial do bibliotecário empreendedor. Dornelas (2006) cita que há diferença entre ideias e oportunidades, e uma ideia por si só não é suficiente para criar um negócio competitivo e de sucesso, e que os empreendedores devem sempre buscar a identificação de oportunidades.
Sabe-se que empreender vai além de ter boas idéias, é preciso planejar, estar atento às mudanças e cenários do mercado, liderar, trabalhar em equipe e formar parcerias, entre tantas outras habilidades, atitudes e conhecimentos requeridas pelo empreendedor conforme já visto. As ideias estão por toda parte, mas o difícil é identificá-las como possíveis oportunidades de negócios.
Dornelas (2006) enfatiza que “as pessoas devem permitir que a curiosidade fique em evidência e estar atento ao que ocorre em sua volta, principalmente aos problemas coletivos do cotidiano e que ninguém dá atenção para resolver”.
De acordo com Clayton Christensen, consultor americano, professor da Harvard Business School e autor de O Crescimento pela Inovação: “A verdade é que, muitas vezes, só percebemos a boa ideia quando alguém já a transformou num produto ou serviço. Nosso pensamento imediato é: “Por que não pensei nisso antes?”. Então abaixo selecionamos algumas dicas:
Faça perguntas: Para identificar uma oportunidade, pergunte-se: Quais são os problemas que o comprador está enfrentando? Isso inclui problemas emocionais, funcionais e também sociais. As pessoas compram coisas que as ajudam e facilitam o dia-a-dia. Por isso, estude o comportamento delas e não espere que elas lhe digam o que precisam, pois muitas vezes não sabem do que precisam. Muita gente, por exemplo, usa o carro como escritório. Se observar, verá que essa é uma oportunidade. O motorista não diz que precisa de um carro-escritório, porque ele está acostumado a se virar com o que tem. Mas se alguém lançar um modelo no mercado, haverá comprador. Lembre-se, porém, de não inventar problemas para os consumidores – eles não vão mudar suas vidas só porque você lançou algo novo.
Procure o não-consumidor: Quando a Sony lançou o primeiro rádio transistor, em 1955, que funcionava a bateria, ela não mirou os compradores de rádio de mesa, produzido por gigantes da época, como a RCA. Ela pensou em conquistar aqueles que não compravam um rádio de mesa, os adolescentes. Acabou vendendo radinhos de pilha não só entre os jovens, mas também para o mundo inteiro.
Segmente de forma diferente: Não segmente mercados de forma tradicional, conforme tipos de produtos, faixa de preço ou faixa etária. Segmente o mercado de forma a refletir a realidade do consumidor e a tarefa que ele está tentando realizar. O ramo de milk-shakes é um exemplo. O consumo estava em queda no McDonald’s, mas as pesquisas não revelavam o porquê. Até que um grupo ficou observando o consumidor. Ele tomava milk-shake de manhã, no carro, a caminho do trabalho. E por que milk-shake? Porque era uma opção que ao mesmo tempo matava a fome, mas não derramava na roupa. Então, os concorrentes do milk-shake não eram as outras marcas de milk-shake, mas os lanches e pãezinhos que não soltavam migalhas.
Fique de olho nas restrições: Sempre que você vê um fator que restringe o consumo, pare e preste atenção, porque é aí que está a oportunidade de negócio. O tempo e a falta de dinheiro costumam ser dois fatores de restrição de consumo (PEGN, 2013).   Na mesma linha Nakagawa (2013) cita algumas perguntas que devem ser feitas e respondidas para analisar uma oportunidade de negócio:
  1.  Benefício claro para o cliente? Ou seja, o cliente vê o produto/serviço e já percebe como isso será a melhor solução para o problema que ele tem?
  2.  Tamanho de mercado adequado? Em outras palavras, resolve o problema de um número significativo de pessoas?
  3.  Potencial de lucratividade e rentabilidade? O número significativo de pessoas da questão anterior é grande o suficiente para gerar os resultados financeiros esperados pelo empreendedor e/ou investidor?
  4.  Diferenciação/inovação? Aqui não vale só copiar o que já existe. A ideia é realmente melhor que as soluções já oferecidas pela concorrência?
  5.  Representa uma de suas paixões pessoais? É preciso gostar de resolver o problema e não apenas do produto/serviço em si. Alguém que venda sapatos deve gostar do benefício do sapato e não apenas do sapato em si.
  6.  Caracteriza um desafio intelectual que o motivará agora e a médio/longo prazo? Entende e gosta de saber que sempre precisará aprender mais sobre o problema que resolve?
  7.  Tem um mercado consumidor amplo? Grande o suficiente para atender seu desejo de impacto por meio do seu negócio?
A partir disso, podemos vislumbrar algumas demandas na atual sociedade de oportunidades para bibliotecários empreenderem, conforme a seguir:
  • Formação de um grupo organizado de pesquisa de mercado, onde a empresa recebe uma demanda de pesquisa e a mesma vai a campo executá-la: A pesquisa de mercado é uma importante ferramenta, utilizada para obter informações precisas sobre um produto, serviço, mercado e público alvo. Através dela também é possível fazer testes que indicam a possibilidade de sucesso de uma estratégia.
  • Desenvolvimento de aplicativos, programas, sistemas de informação: O bibliotecário pode fazer parcerias para ter auxílio sobre as áreas que não tiver domínio ou pode fazer especializações na área para criar aplicativos e sistemas de informação. Um software aplicativo é um programa de computador que tem por objetivo ajudar o seu usuário a desempenhar uma tarefa específica, em geral ligada a processamento de dados. Sua natureza é diferente de outros tipos de software, como sistemas operacionais e ferramentas a eles ligadas, jogos e outros softwares lúdicos.
  • Monitoramento de publicações de informações: Muitos empresários querem saber o que a concorrência está fazendo ou profissionais como advogados e contadores precisam estar sempre atualizados em relação a legislação de ações jurídicas e legais. Dentro desse contexto, podem surgir oportunidades de negócios para os bibliotecários empreenderem atuando com inteligência competitiva e pesquisa em fontes de informação para atender essas demandas e necessidades informacionais.
  • Elaboração de infográficos: Infografia ou infográficos são gráficos com algumas informações comuns em revistas e outros meios de comunicação. Os infográficos são caracterizados pela junção de textos breves com ilustrações explicativas para o leitor entender o conteúdo. Eles facilitam a compreensão de matérias em que apenas dificultaria o entendimento. No design de jornais, por exemplo, o infográfico costuma ser usado para descrever como aconteceu determinado fato, quais suas consequências.  Além de explicar, por meio de ilustrações, diagramas e textos, fatos que o texto ou a foto não conseguem detalhar com a mesma eficiência.
  • Consultoria em projetos de memória – Estudar acervos e coleções para criar produtos a partir destes como linhas do tempo, apontando dados sobre a memória de pequenas e médias empresas também é exemplo de um campo de atuação para o bibliotecário empreender.
Todavia, para que o bibliotecário se insira de modo autônomo em um campo, para que ele abra um negócio, além dos fatores ideia e inovação, é necessário que ele possua um perfil empreendedor. A seguir listamos algumas fontes que podem auxiliar o bibliotecário empreendedor em suas atividades.    
SEBRAE
O SEBRAE atende quem pensa em abrir seu próprio negócio, quem já tem seu negócio, quem quer ir mais longe, quem acredita na força da união, quem busca a formalização do seu negócio. Com foco no estímulo ao empreendedorismo e no desenvolvimento sustentável dos pequenos negócios, o SEBRAE atua com educação empreendedora, capacitação de empreendedores, articulação de políticas públicas, acesso a novos mercados, acesso a tecnologia e inovação, orientação para acesso aos serviços financeiros, entre outros.
PORTAL DO EMPREENDEDOR
O portal disponibiliza informações detalhadas sobre os tipos de empresas do Brasil (naturezas jurídicas), como requisitos, benefícios e impedimentos. Constam ainda orientações sobre abertura, alteração, baixa e formalização de empreendimentos, visando criar um ambiente mais propício para negócios no País. Resultado de uma das ações da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (REDESIM), oPortal do Empreendedor permite a execução online dos atos necessários à formalização do Microempreendedor individual, agilizando os procedimentos, visto que evita a necessidade de se deslocar à Junta Comercial e a outros órgãos governamentais afins.
EMPREENDEDOR.COM
O Empreendedor.com é um projeto social dirigido a empreendedores, que se coloca na esfera da Economia Solidária (SolidarityEconomy). O projeto tem como missão proporcionar um ambiente que promova a cooperação entre indivíduos e organizações, incentivando o envolvimento da comunidade de empreendedores e a criação de novas parcerias.
ENDEAVOR Brasil
Empreendedores que sonham grande e novas gerações de empreendedores precisam de um ambiente de negócios favorável, inspiração, capacitação e networking. Foi neste contexto que nasceu a Endeavor, organização de fomento ao empreendedorismo que “bota pra fazer” e, com excelência na mobilização de organizações públicas e privadas e no compartilhamento do conhecimento prático e exemplos de sua rede, fortalece a cultura empreendedora do Brasil.
SISTEMA FIRJAN
O Sistema FIRJAN é um importante parceiro das empresas do Estado do Rio de Janeiro na busca pelo desenvolvimento. As cinco organizações que compõem o Sistema oferecem soluções e serviços capazes de multiplicar a produtividade das empresas e melhorar a qualidade de vida dos funcionários. Juntas a FIRJAN – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, CIRJ – Centro Industrial do Rio de Janeiro, SESI – Serviço Social da Indústria, SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e IEL – Instituto EuvaldoLodi, trabalham a fim de garantir uma posição de destaque para a indústria fluminense nos níveis político, econômico e social do cenário nacional. A FIRJAN desenvolve e coordena estudos, pesquisas e projetos para orientar as ações de promoção industrial e novos investimentos no estado. Seus Conselhos Empresariais temáticos e Fóruns Empresarias setoriais discutem tendências e lançam diretrizes para ações de apoio e assessoria às empresas. Hoje, sindicatos industriais filiados à FIRJAN representam empresas em todo o Rio de Janeiro.
UP Idea
A proposta da UP Idea é disponibilizar todas as condições - comerciais e tecnológicas - para que o empreendedor possa implementar um Portal Vertical e, a partir daí, oferecer conteúdo e serviços online exclusivos para um segmento do mercado. Para isso, o UPIdea desenvolveu um modelo de negócio pré-definido e com toda a estrutura tecnológica (hospedagem, banco de dados, aplicações, etc) necessária para dar suporte as informações e serviços oferecidos. Cada fonte de renda (serviço) já tem sua forma de comercialização definida pelo UPIdea.
MOVIMENTO EMPREENDA
O Movimento Empreenda tem por missão dar suporte a todos que sonham abrir o próprio negócio e também àqueles que já são donos de suas empresas. Tradicionalmente, a Editora Globo sempre promoveu o empreendedorismo, por acreditar ser este o melhor caminho para o crescimento do país. Esse movimento consolida essa posição, publicando reportagens inspiradoras relacionadas ao tema em 11 revistas e nos sites da Editora Globo.  
PORTAL DO FRANCHISING
Hoje, a Associação Brasileira de Franchising (ABF) desfruta de um grande prestígio e de uma imagem consolidada no mercado. Possui mais de 1000 associados, divididos entre franqueadores, franqueados e colaboradores que, nos últimos anos, vêm organizando e participando de diversas ações para o desenvolvimento do sistema no Brasil. Representada também por uma Seccional no Rio de Janeiro, a ABF conta com o apoio de regionais no Rio Grande do Sul, Interior de São Paulo e Minas Gerais. Ao longo destes anos vem aumentando a sua amplitude de atuação em âmbito nacional e internacional.  
FRANQUIA.COM
O Portal Sua Franquia é a principal referência do franchising brasileiro, com foco na captação de investidores interessados em abrir uma franquia. O portal oferece conteúdo sobre o mercado para franqueadores e franqueados, que queiram estar sempre atualizados.
Esse artigo foi compartilhado de: 
http://empreendebiblio.com/empreendedorismo/ 
Nesse link também é possível encontrar as referências bibliográficas

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O que devo esperar da profissão de Biblioteconomia?

"Decidi fazer Biblioteconomia o que devo esperar da profissão?". Se você também se faz essa pergunta confira abaixo as dúvidas mais frequentes que recebemos no Muito Mais que Livros:

O que exatamente o Bibliotecário faz? 
Segue uma lista resumida das funções do Bibliotecário, para conferir a matéria completa acesse  Mas Afinal O Que Faz Um Bibliotecário?
  • Preparar e manter políticas que determinam o que é adicionado à coleção, incluindo bases de dados online
  • Escolher e negociar com os fornecedores que comercializam itens para a coleção
  • Determinar quais materiais serão aceitos como doação e reconhecê-los para efeitos de contabilidade
  • Analisar como os usuários utilizam a coleção e demais serviços
  • Determinar quais materiais obsoletos ou não utilizados devem ser removidos da coleção
  • Descrever cada item da coleção em um registro de catalogação para que as pessoas possam encontrá-lo
  • Manter os sistemas de computador sem os quais as bibliotecas não podem funcionar
  • Manter equipamentos de reprodução para todas as gravações de áudio e vídeo, incluindo formatos obsoletos para o conteúdo que não está disponível em formatos mais recentes
  • Aprender a usar a nova tecnologia emergente, a fim de ser capaz de ensinar os usuários
  • Responder às perguntas dos usuários, que podem ser fáceis de responder ou exigir considerável pesquisa
  • Ajudar os leitores de ficção ou literatura a encontrar o que ler em seguida
  • Emprestar materiais de outras bibliotecas para usuários que precisam de algo que a biblioteca não possui
  • Planejar e administrar aulas, seminários, concertos, grupos de leitura, noites de jogos e outros programas
  • Preparar descrições de cargos para as posições em aberto e contratar as pessoas certas
  • Treinar e supervisionar os profissionais associados que trabalham na biblioteca
  • Preparar orçamentos a fim de alocar recursos para manter tudo funcionando
  • Trabalhar dentro da comunidade para promover a biblioteca e seus serviços
  • Manter-se atualizado com a literatura de bibliotecas (que não é tão divertido quanto a leitura de livros!), a fim de acompanhar as contantes mudanças

Como é o Mercado de trabalho?
A Biblioteconomia, ao contrário de muitas outras profissões, se reinventou ao longo dos anos, o Mercado continua pedindo esse profissional, além de empresas privadas existe muita demanda de concursos públicos e estágios.  No link "Biblioteconomia, curso promissor e com o perfil jovem" é possível conferir a opinião de Bibliotecários de sucesso sobre o mercado de trabalho.   
O Bibliotecário trabalha só em Bibliotecas?
Não!!!!! A Biblioteca é uma das mais comuns, porém, outras instituições pedem esse profissional, confira na lista abaixo 30 áreas de atuação:

Emprego e Salário?
A demanda por emprego é grande, recebo muitas mensagens comentando de processos seletivos (públicos e privados) que não foram preenchidos devido a falta de profissionais, muitas ofertas de vagas já são enviadas diretamente a Universidade.
O Piso salarial em São Paulo é de R$ 1750,00. Bibliotecários com experiência de dois anos ganham de R$ 3000,00 a R$ 8000,00, segundo o Sindicato dos Bibliotecários do Estado de SP (Sinbiesp). A nossa página no Facebook já divulgou vagas com valores bem maiores que esse.
Existe pós-graduação na área? Se sim, o que está em evidência hoje, o que seria interessante?
Existe uma série de cursos de especialização e pós lato sensu. Geralmente os bibliotecários escolhem cursos associados a gestão da informação ou documentos. E existe uma série de cursos de mestrado e doutorado, stricto sensu. Geralmente os bibliotecários seguem as linhas de pesquisa da ciência da informação, comunicação, computação, memória social ou engenharia de produção.
Texto baseado na página: http://bsf.org.br/2014/01/03/tudo-que-voce-sempre-quis-saber-sobre-biblioteconomia/

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Bibliotecários - Uma profissão em vias de extinção?

Qual é o real cenário das Bibliotecas? Seu futuro é promissor? Como o profissional Bibliotecário pode contribuir para sua evolução? Ou será que o único destino é sua extinção? 
Sugerido pelo BibliotecAtiva esse artigo discute o futuro da profissão de Bibliotecário em Portugal, mas as sugestões são tão atuais e relevantes que pode ser aplicado em qualquer lugar do mundo. Confira e opine:
Ao longo deste artigo irei apresentar três cenários de futuro (horizonte temporal: 2025) para as bibliotecas: 

1. Cenário de extinção;

2. Cenário de evolução;

3. Cenário de transformação. 

Irei também apresentar os meus compromissos para o futuro: 

1. Apostar no permanente desenvolvimento profissional. 

2. Ser proactivo, criativo e inovador, q.b. 

3. Implementar serviços e projectos com real valor social. 

4. Defender as bibliotecas enquanto serviço público essencial. 5. Investir no processo de transformação das bibliotecas portuguesas.

CENÁRIOS DE FUTURO
Tendo em conta as grandes tendências de evolução actual, podemos apontar três cenários de futuro para as bibliotecas portuguesas (horizonte temporal 2025): 1. Cenário de extinção. 2. Cenário de evolução. 3. Cenário de transformação. Vejamos cada um deles em pormenor.

1. Cenário de Extinção

Foto Artigo Filipe Leal - SitePor detrás deste cenário encontra-se uma visão catastrófica sobre o futuro das bibliotecas que assume a inevitabilidade da sua extinção num horizonte temporal de médio prazo (10/20 anos).
Essa extinção ocorre pela incapacidade das bibliotecas responderem às mudanças sociais de forma eficaz, perdendo deste modo a sua pertinência e valor social.
Neste cenário a atitude dos profissionais caracteriza-se por uma inércia fatalista, onde parece que não há nada a fazer para além de esperar que o mundo siga o seu curso natural. Este é o menos provável dos três cenários.

2. Cenário de Evolução

A visão conservadora pressupõe que as bibliotecas conseguirão adaptar-se às mudanças sociais rápidas, profundas e irreversíveis, procedendo a pequenas alterações no paradigma tradicional que as caracteriza há cerca de 150 anos.
A cristalização institucional dai resultante é assumida como a melhor forma das bibliotecas manterem a sua identidade institucional e função social.
Neste contexto as bibliotecas são vistas como bastiões de resistência às mudanças do mundo trazidas pela Internet e pelos novos media. Este é o mais provável dos três cenários.

3. Cenário de Transformação

A concretização deste cenário implica a adopção de uma visão optimista em relação à capacidade das bibliotecas para se transformar de modo a responder às ameaças e às oportunidades colocados pelas mudanças sociais.
O processo de transformação passa por assumir o papel determinante dos profissionais na passagem de um paradigma tradicional (biblioteca centrada nos livros) para um novo paradigma (biblioteca centrada nas pessoas).
É um processo que se inicia num plano estratégico (visão) e se consubstancia num plano operacional (acção). Este é o mais desejável dos três cenários.

COMPROMISSOS PARA O FUTURO

Acredito que os profissionais das bibliotecas têm um papel central na transformação das organizações onde trabalham. Para isso têm, eles próprios, que se transformar no seu perfil e na sua prática profissional. No meu caso pessoal (que estou a meio da minha carreira) assumi conscientemente uma série de compromissos para o futuro.

1. Apostar no permanente desenvolvimento profissional

O perfil do profissional das bibliotecas tem mudado muito nas últimas décadas. Para além da tradicional formação em biblioteconomia, hoje em dia é fundamental o profissional ter conhecimentos e competências ao nível da gestão, das tecnologias, da comunicação, das literacias, etc.
A necessidade de uma permanente actualização de conhecimentos e competências implica um forte investimento no desenvolvimento profissional. Este deve ser feito dentro de uma dinâmica dialéctica: definição de novos mapas conceptuais / aplicação prática através de novas metodologias.
Esse processo de desenvolvimento profissional deve ser equacionado dentro de um conjunto complexo de factores.
Por um lado, os fortes constrangimentos financeiros actuais levaram a que as organizações tenham desinvestido na formação profissional dos seus técnicos. A principal restrição diz respeito às modalidade de formação presencial, que implicam custos de inscrição, deslocação, refeições, alojamento, etc.
Por outro lado, a utilização da Internet como plataforma de comunicação e interacção global tem permitido o surgimento de novas modalidades de formação profissional. Para além da aprendizagem mais formal (cursos online) tem surgido muitas outras modalidades de aprendizagem informal (webinários, tutoriais, conferências, masterclasses, canais video, canais podcast, etc.). Muitas destas novas modalidades são de acesso gratuito e universal.
A minha aposta no desenvolvimento profissional vai no sentido de adquirir  novos conhecimentos e competências através do recurso privilegiado a modalidades de aprendizagem informal. Sempre que possível irei também frequentar eventos. Seja num âmbito mais restrito (área das bibliotecas, literacias, leitura, políticas culturais) como num âmbito mais alargado (área das tecnologias, do marketing digital, da inovação e empreendedorismo, da gestão de projectos e de liderança de equipas.).
Entre os temas que mais me interessam aprofundar num futuro próximo gostaria de destacar os seguintes: definição e avaliação de políticas públicas, metodologias de envolvimento das comunidades, modelos de organização espaço-funcionais, desenvolvimento de projectos de literacia digital, estratégias alternativas para a promoção da leitura.

2. Ser proactivo, criativo e inovador, q.b.

Algumas das características que considero mais marcantes na minha prática profissional gostava de destacar três que considero determinantes para o futuro: ser proactivo, ser criativo, ser inovador.
A proactividade é sem dúvida uma característica profissional que pode determinar o sucesso ou o fracasso da organização para a qual trabalhamos. Podemos enumerar alguns exemplos práticos dessa proactividade. Levar a biblioteca para fora de portas ao encontro da comunidade. Desenvolver novos serviços e actividades. Estabelecer parcerias estratégicas com empresas e instituições. Captar recursos fora da organização onde a biblioteca se integra. Persuadir os decisores políticos sobre a afectação de recursos estratégicos.
A criatividade é uma característica profissional que ultrapassa em muito o expediente de trabalhar com escassos recursos usando a imaginação. Cada vez a criatividade é determinante para conceber, planear, organizar e implementar novos serviços, actividades ou metodologias. A criatividade trás também para as bibliotecas uma dimensão onírica e sensível que se contrapõe à abordagem estritamente tecnocrata ou burocrata.
A inovação é uma característica profissional intimamente relacionada com a capacidade de encontrar novas soluções para os mesmos problemas ou para novos problemas. A inovação, para ser consequente, deve surgir dentro de uma cultura organizacional fecunda e de um modelo de desenvolvimento sustentável. Fazer algo novo só por fazer pode não ser o melhor caminho. Mais do que boas ideias precisamos de bons projectos.
Mas, independentemente das três características anteriormente enunciadas (proactividade, criatividade, inovação), o ambiente organizacional acaba por ser determinante. É um permanente conflito entre a inovação & criatividade e a resistência à mudança, entre o status quo e o pensar fora da caixa. Daí a assumpção do q.b. (quanto baste) como estratégia de sobrevivência dentro do exercício de inteligência organizacional.
Refiro também que, cada vez mais, não restrinjo a minha prática profissional à organização para a qual trabalho (Câmara Municipal de Oeiras). Foi a forma que encontrei para ultrapassar os constrangimentos que identifiquei anteriormente. A criação e dinamização da BibliotecAtiva entronca nesta opção estratégica.

3. Implementar serviços e projectos com real valor social

A biblioteca enquanto mundo fechado sobre si mesmo pertence ao passado. Cada vez mais a biblioteca é uma organização centrada na satisfação das necessidades, interesses e gostos das pessoas que serve.
Para garantir que a biblioteca tem um real valor social há que garantir o envolvimento da comunidade, desde a fase de concepção e planeamento. Esta máxima é verdadeira ao nível da organização dos espaços, da gestão das colecções, da disponibilização de serviços, do desenvolvimento de actividades e da afectação de recursos estratégicos.
A monitorização do funcionamento da biblioteca deve ser um permanente processo consultivo virado para fora. Mais do que validar a conformidade da aplicação de regras, métodos e procedimentos, a verdadeira qualidade das bibliotecas mede-se pelo grau de satisfação dos seus utilizadores.
Para além dessa dimensão da gestão corrente há que entrar na dimensão da gestão estratégica. A biblioteca está a cumprir efectivamente a sua missão institucional? É uma organização socialmente relevante? Tem um impacto social efectivo? Faz um esforço por acompanhar as tendências de evolução social?

4. Defender as bibliotecas enquanto serviço público essencial

O papel dos profissionais na defesa das bibliotecas enquanto serviço público essencial é determinante.
Para além do seu trabalho quotidiano, os profissionais têm um papel determinante na sensibilização dos decisores políticos e dos membros da comunidade sobre o papel e o estatuto social das bibliotecas.
Neste âmbito, defendo que é do âmbito do exercício profissional a definição de políticas públicas, de programas e de planos que, depois de sancionados pelas instituições tutelares, serão levadas ao terreno.
A defesa do serviço público pode também, em última instância, passar pela mobilização da opinião pública e pela criação de movimentos cívicos. Também aqui os profissionais têm um papel fundamental a desempenhar.
Em suma, cada vez mais os profissionais são agentes de sensibilização e de mobilização social em defesa do serviço público prestado pelas bibliotecas.


5. Investir no processo de transformação das bibliotecas portuguesas

Acredito que os profissionais são os agentes de transformação das bibliotecas. Mais do que os decisores políticos. Mais do que os fazedores de opinião. Mais do que os líderes da comunidade. Mais do que os utilizadores regulares. São os profissionais que transportam a visão de futuro das bibliotecas.
Todavia, transformar as bibliotecas não é um processo utópico é um processo circunstanciado. Cada biblioteca é um caso único, a materialização de um modelo global em condições locais. Nestas condições, cada profissional deve centrar os seus esforços em transformar quotidianamente a sua biblioteca.
Para que isso seja possível torna-se fundamental criar um movimento colaborativo de transformação. A BibliotecAtiva pode ser um dos catalisadores desse movimento.
No que me diz respeito estou totalmente empenhado neste projecto. É a minha forma de pôr em comum convosco o conhecimento e experiência que adquiri ao longo dos últimos vinte anos. É a minha forma de pôr em comum convosco o fascínio e a incerteza com que perspectivo os próximos  vinte anos. Juntos chegaremos mais longe.
Somos uma profissão em vias de extinção? Não me parece. Somos uma profissão em transformação.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A Biblioteconomia e o Futuro

Durante sua trajetória profissional, a Biblioteconomia foi construindo/agregando valores e técnicas que vão desde as práticas de organização e tratamento, passando por dinâmicas de acervo, uso de fontes, serviços e gestão, assim como atividades envolvendo tecnologias de informação. 

Para todos os efeitos, em uma percepção preliminar, todas essas atividades estão correlacionadas e fazem parte do que podemos chamar de prática biblioteconômica holística, já que envolve um totalizador de ação profissional.

Porém, a grande questão é: como correlacionar esse fazer profissional no processo de atuação das bibliotecas? Considerando a amplitude da questão, pontuo dois fatores essenciais que compõem o fazer profissional:
a)      o primeiro indica um contexto interno referente aos conteúdos desenvolvidos na formação acadêmica (incluindo graduações, especializações, mestrado, doutorado, cursos de qualificação, eventos etc.) e sua apropriação pelos bibliotecários;
b)      o segundo é de contexto externo (complementar ao primeiro), sendo norteado pelo nível de autonomia que o profissional possui para atuar, conforme os desideratos da cultura organizacional e pela necessidade de ocupação de novos espaços.
Quanto ao primeiro fator, não é de hoje que acompanhamos diversas manifestações em torno das reformulações curriculares nos cursos de graduação em Biblioteconomia, incluindo seus “generalismos” (por um lado apresenta conteúdos múltiplos e, por outro, com dificuldades de aplicação no mercado), além da falta de elementos para qualificação profissional, especialmente no que tange a especializações e pós-graduações stricto sensu.
Em termos emergenciais é premente o deliberado incentivo à qualificação continuada de bibliotecários promovida por universidades, associações, conselhos e sindicatos em questões cotidianas do fazer profissional como gestão da informação em bibliotecas (individual ou de tipos diversos), tecnologias aplicadas a bibliotecas, dinamização de acervos, mediação da informação em bibliotecas, uso de fontes de informação gerais e especializadas; físicas e digitais etc. em caráter presencial ou EaD. Essa qualificação deve fazer parte do cotidiano de estudantes e profissionais a fim de fortalecer o viés aplicativo da profissão.
Ademais, é pertinente que alunos e professores modifiquem suas percepções no tocante as formas de aprendizagem e aplicação profissional. Escuto de forma constante dos alunos a seguinte frase: “professor, o conteúdo que vejo aqui no Curso não me permite aplicar no mercado porque ambas as realidades (curso e mercado) são diferentes”. E prontamente minha resposta é: “a diferença significativa é que no Curso professores e alunos estão ‘blindados’, de modo que escolhem como, com quem, quando e onde querem trabalhar (sim, estudo também deve ser considerado como trabalho para ampliar essa percepção reducionista que temos), mas no mercado essas escolhas não são possíveis em virtude de que não há mais essa blindagem, já que os profissionais estão sujeitos a lidar com os interesses das organizações que comumente possuem uma visão limitada da atuação do bibliotecário”.
Por isso, é fundamental, além do processo constante de qualificação, que bibliotecários possuam seu portfólio (projeto registrado física e juridicamente de intenções e propostas de atuação) a fim de que possa apresentar a organização nas seleções ou no ato da contratação e dialogar sobre formas de aplicação. Neste documento é crucial o bibliotecário mostrar duas questões gerais: primeiramente, diversas qualidades de aplicação profissional e, segundo, formas de atuar nas demandas específicas da organização (o profissional precisa demonstrar visão aguçada sobre o ambiente de trabalho desde o início do processo de atuação por meio de observações, análises da estrutura administrativa e dos serviços da organização de uma forma geral). Não há garantias, mas estabelece um respeito prévio do profissional perante a organização contratante mostrando que o bibliotecário é um profissional com atividades especializadas produzidas em sua formação em caráter permanente.
No que tange ao segundo fator, eis que nos deparamos com uma realidade mais complexa. Historicamente, a profissão de bibliotecário é reconhecida por indicar vários espaços potenciais de atuação, mas que não são ocupados na prática. Um exemplo categórico são as bibliotecas escolares que podem produzir novos campos de atuação e novas possibilidades de aplicação profissional (a inserção efetiva da Biblioteconomia no campo da educação básica). Um exemplo mais concreto da biblioteca escolar é quando me fazem a seguinte pergunta: “você considera o bibliotecário um educador?” E minha resposta é: “potencialmente, sim, mas como considerar concretamente se a amplíssima maioria das bibliotecas escolares sequer possui um bibliotecário?”.
Neste sentido é que acredito que o reconhecimento da Biblioteconomia perpassa inexoravelmente pela ocupação dos espaços. Embora a profissão tenha apresentado uma crescente ocupação de espaços, principalmente a partir de concursos públicos e bibliotecas universitárias, observo que há uma possibilidade muito mais ampla de espaços, como na biblioteca escolar, órgãos públicos de cunho jurídico, executivo e legislativo. Qualquer profissão que não ocupa seus espaços em sua plenitude (ou próximo disso) dificilmente terá condições de concretizar suas potencialidades estratégicas, por um lado, profissionais, acadêmicas e humanas e, por outro, pedagógicas, gerenciais, técnicas.
Penso que a Biblioteconomia (neste caso o pensamento coletivo de órgãos de classe, professores, profissionais e estudantes) deve ter como grande marco para o futuro profissional, a formalização de processos sobre a ocupação de espaços (quais espaços são passíveis de ocupação, como reivindicar e propor a ocupação dos espaços, seja de caráter público, seja de caráter privado e como projetar um papel profícuo em termos de atuação profissional nesses espaços).
Em síntese, é preciso discutir, analisar, avaliar, promover, propor questões para o futuro profissional da área. Este é um papel meu, seu e dos representantes acadêmicos e político-institucionais da área. O reconhecimento futuro da Biblioteconomia perpassa pelo nosso processo de mobilização e atuação. Algumas conquistas já se efetivaram (ampliação do mercado, redimensionamento da atuação profissional e acadêmica, entre outras), mas ainda é preciso avançar muito mais redimensionando o papel político da Biblioteconomia e esta luta é coletiva.
E viva o futuro da biblioteconomia!!! Que seja simultaneamente ardoroso pelo valor da luta e prazeroso pelas conquistas!!!